Redação do Enem 2025 é alvo de críticas após correção mais rigorosa provocar queda acentuada nas notas

Foto: Divulgação

Documentos internos revelam que a redação do Enem 2025 foi corrigida com critérios considerados mais rigorosos e subjetivos em comparação às edições anteriores. As orientações repassadas à banca avaliadora teriam provocado uma queda significativa nas notas de milhares de candidatos, com relatos de reduções expressivas — em alguns casos, de 940 para 720 pontos.

A situação gerou críticas e acusações de injustiça, sobretudo porque o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passou a permitir o uso de notas de edições anteriores do exame, ampliando a comparação direta entre desempenhos obtidos em contextos distintos de correção.

Entre as principais mudanças apontadas nos documentos, está o aumento da penalização para candidatos que não apresentam o item “ação” na proposta de intervenção. Nesses casos, o desconto pode chegar a 120 pontos, valor três vezes superior ao aplicado em anos anteriores. Além disso, a análise do uso de conectivos teria deixado de seguir parâmetros mais objetivos, adotando critérios menos matemáticos e mais interpretativos.

Outro ponto destacado é o tratamento do repertório sociocultural. Falhas nesse quesito passaram a gerar perda de pontos simultaneamente em duas competências, o que, segundo especialistas, teria como objetivo coibir o uso de textos padronizados e modelos prontos amplamente difundidos em cursos preparatórios.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nega que tenha havido qualquer alteração formal nas regras de correção da redação e afirma que a igualdade de condições entre os candidatos foi assegurada. Em nota, o órgão sustenta que os critérios oficiais permaneceram os mesmos e que o processo avaliativo seguiu os parâmetros previstos no edital.

Apesar disso, especialistas em avaliação educacional e corretores que atuaram no exame afirmam que as orientações transmitidas durante o treinamento da banca configuraram uma espécie de “grade oculta” de correção. Na avaliação desses profissionais, o Enem 2025 tornou-se a edição mais difícil dos últimos anos para a obtenção da nota máxima na redação, em razão do maior rigor interpretativo aplicado às competências avaliadas.

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