Protestos tomam as ruas da Ucrânia após Zelensky sancionar lei que reduz autonomia de órgãos anticorrupção

Foto: Divulgação

Milhares de ucranianos se mobilizaram nas ruas nesta semana em reação à sanção de uma nova lei que retira a autonomia da NABU (Agência Nacional Anticorrupção) e da SAPO (Promotoria Especializada), dois dos principais órgãos de controle e fiscalização no país. A medida, assinada pelo presidente Volodymyr Zelensky, transfere a responsabilidade sobre essas instituições para o procurador-geral, cargo indicado diretamente pelo chefe do Executivo.

A decisão foi duramente criticada por analistas políticos, entidades civis e especialistas em governança, sendo considerada um grave retrocesso institucional em um país historicamente marcado por escândalos de corrupção.

Os protestos ocorreram em diversas cidades, entre elas Kiev, Lviv, Dnipro, Odesa e Kharkiv, e foram os maiores registrados desde o início da invasão russa, em 2022. Além da nova legislação, os manifestantes expressaram insatisfação com a condução política e administrativa do governo, principalmente diante de denúncias de desvios de recursos públicos em áreas como defesa e ajuda humanitária.

O movimento popular também evidencia o crescente desgaste da imagem de Zelensky, cuja liderança vem sendo questionada por derrotas no campo militar e pelo esfriamento do apoio internacional. O descontentamento interno, somado à pressão de aliados que demonstram fadiga com o prolongamento da guerra, agrava o cenário de instabilidade institucional.

A nova legislação surge em momento delicado para a Ucrânia, que busca avançar no processo de adesão à União Europeia, bloco que historicamente exige compromissos firmes com a transparência e o combate à corrupção.

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