Arte de peso: Jovem cria obras através da sucata, em Brejo da Madre de Deus

Replica de ''Predador'', do filme Alien Vs Predador (1987) - Foto: Genilson Araújo
A arte no Agreste pernambucano não é feita apenas com barro, há quem tire o melhor da criação em objetos feitos de metal, ou melhor, de peças descartadas de puro ferro (sucata ou ferro velho). Luiz Carlos Santos (31 anos) é habitante do município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, o mesmo cria peças que mexem com o imaginário do público da região há anos, o seu acervo tem levado seu nome e de sua cidade cada vez mais longe.
Peça que retrata o ''Cangaço'' em Pernambuco - Foto: Genilson Aráujo
Recentemente em entrevista ao Blog do Bruno Muniz, o artista plástico, ou porque não dizer, ferreiro, falou um pouco sobre suas criações e os desafios de se tirar imagens à partir de ferro e soldas.
''Eu já criava algumas coisas, mas não sabia que era arte. No final do ano de 2007 participei de uma oficina de artes em sucara, aqui em Brejo da Madre de Deus, com o professor Maurício Castro, desde então não parei mais, foi uma atrás da outra'', conta, Luiz Carlos.
Luiz Carlos posa em frente a uma de suas maiores criações, o Transformer - Foto: Genilson Araújo
O portfólio de Luiz vai desde peças bem pequenas, como besouros, até peças maiores, como uma replica de um robô Transformer, o ''Toyotrom''. Existe ainda nas peças de Luiz Carlos, todo um processo conceitual, o seu acervo leva um pouco de sua região, a exemplo de peças criadas à partir de um veículo que representa bem o cenário local.
''Meu primeiro trabalho foi uma aranha que criei à partir de uma marreta que encontrei no ferro velho. O Transforme de três metros e meio de altura (Toyotrom) foi feito à partir de peças do nosso principal transporte, que é o Toyota Bandeirante'' explicou o artista.
Militantes em comício, mais uma peça miniatura de Luiz Carlos - Foto: Genilson Araújo
Todos esses detalhes representados em cada criação não são à toa, muitas peças levam uma forte crítica social, como por exemplo o veículo carregado de militantes em um comício, ou a peça ''Migração, seca sem miséria''.
Luiz Carlos posa ao lado da peça ''Migração, seca sem miséria'' - Foto: Arquivo Pessoal
Com 80% em peças de máquina de costura e 20% de sucata em geral, a criação despertou a atenção de muitos, o criador explica o contexto da obra.
''A peça 'Migração, seca sem miséria', que é a máquina de costura, ela está em cima de uma base com foices, enxadas e outras ferramentas do campo, as grades que saem delas e envolvem a máquina simbolizam a migração de um povo que não fugiu da seca por conta da máquina de costura, permanecem no lugar de origem''.
Com o seu trabalho, Luiz Carlos já conquistou reconhecimento, apesar da pouca idade, incomum para artesões renomados. Suas obras já foram vistas por milhares de pessoas através da internet e em exposições.
''Não consigo calcular quantos trabalhos já fiz nesses anos, mas atualmente tenho 52 peças no acervo'', concluiu.
Veja mais imagens das obras de Luiz Carlos clicando AQUI.

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