Após polêmica, cantor pernambucano desiste de vaquinha de R$ 1 milhão e denuncia ataques: "Enxurrada de xenofobia e racismo"


 O cantor e compositor pernambucano Afroito anunciou, na quinta-feira (30), que desistiu da campanha de financiamento coletivo que buscava arrecadar R$ 1 milhão para comprar um casarão no Recife e quitar dívidas relacionadas ao imóvel. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, após dias de intensa repercussão em torno da iniciativa.

Segundo o artista, a campanha acabou ultrapassando o público ao qual era destinada e passou a atrair uma onda de ataques. No pronunciamento, Afroito afirmou que decidiu encerrar a vaquinha para preservar pessoas próximas e denunciou ter sido alvo de uma "enxurrada de xenofobia e racismo".

O cantor explicou que a proposta inicial era conversar diretamente com seus apoiadores, oferecendo contrapartidas como discos em vinil e ingressos para apresentações. No entanto, a repercussão nacional mudou completamente o cenário.

"Li comentários que são de tirar a humanidade", afirmou o artista, ressaltando que, apesar das ofensas, também recebeu inúmeras mensagens de apoio e carinho de novos seguidores.

A campanha havia sido lançada no dia 20 de julho e tinha duração prevista de 50 dias. Em dez dias, o financiamento coletivo arrecadou pouco mais de R$ 9 mil, valor que representava menos de 1% da meta estabelecida.

Nas redes sociais, Afroito explicou que pretendia adquirir o imóvel por considerar o espaço ideal para desenvolver seus projetos artísticos. Em meio ao crescimento de sua carreira, decidiu assumir o aluguel da residência, no valor de R$ 5 mil mensais.

Entretanto, segundo o cantor, a paralisação na agenda de shows comprometeu sua renda, resultando em cerca de seis meses de atraso nos pagamentos. Do total de R$ 1 milhão pretendido, R$ 800 mil seriam destinados à compra da casa, enquanto o restante seria utilizado para quitar taxas, multas e uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil referente aos aluguéis em atraso.

Ao comentar a repercussão do caso, Afroito afirmou que compreende o estranhamento causado pelo valor solicitado e pelo uso de uma plataforma de vaquinha para adquirir um imóvel. Ainda assim, defendeu que o financiamento coletivo é uma prática comum entre artistas para viabilizar projetos e iniciativas culturais.

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