Reportagem da Record aponta que Governo de Raquel Lyra usou "polícia paralela" para investigar opositores

 

Foto: Divulgação

Uma longa reportagem exibida neste domingo (25) pela imprensa trouxe à tona um conjunto de denúncias consideradas de extrema gravidade envolvendo a atuação da Polícia Civil de Pernambuco durante a gestão da governadora Raquel Lyra. O material reúne documentos internos, trocas de mensagens entre policiais, além de depoimentos públicos e sob sigilo que apontariam para o possível uso político da estrutura policial, perseguição a servidores que se recusaram a cumprir ordens consideradas ilegais e práticas de arapongagem.

Segundo a reportagem, os elementos apresentados indicariam a existência de uma espécie de “polícia paralela”, que teria sido utilizada para monitorar e investigar adversários políticos do governo estadual, em um contexto diretamente ligado à disputa eleitoral em Pernambuco.

Entre os principais alvos das ações denunciadas estaria o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, que lidera com ampla vantagem as pesquisas de intenção de voto no estado. De acordo com a imprensa, o fato de o gestor municipal aparecer, ainda que de forma indireta, em duas das denúncias reforça a suspeita de que investigações e operações teriam sido conduzidas não por critérios técnicos ou jurídicos, mas por motivações políticas, especialmente em um cenário pré-eleitoral.

Um dos episódios mais sensíveis revelados envolve a divulgação de ofícios internos da Polícia Civil. Em um dos documentos apresentados, um delegado determina a continuidade de uma investigação mesmo após o arquivamento formal do caso por outro delegado responsável, que havia concluído pela inexistência de provas ou vestígios de crime. O episódio citado diz respeito a apurações relacionadas a creches do Recife. Conforme a reportagem, o texto do ofício menciona a relevância eleitoral da investigação, levantando suspeitas de desvio de finalidade e possível violação dos princípios da legalidade, impessoalidade e imparcialidade que regem a atuação policial.

Ainda de acordo com a matéria, a suposta atuação irregular contra o prefeito João Campos também é sustentada pela divulgação de prints de conversas em um grupo de WhatsApp formado por policiais civis, identificado como “Nova Missão”. As mensagens, segundo a imprensa, reforçariam indícios de articulação interna para direcionamento de ações policiais com viés político.

As denúncias apresentadas geraram forte repercussão e devem aprofundar o debate público sobre a condução da segurança pública e a independência das instituições policiais no estado.

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