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| Foto: Divulgação |
Os protestos contra o governo e o Congresso do Peru, que há semanas tomam as ruas do centro de Lima, ganharam nova dimensão e seguem preocupando as autoridades do país. Durante a manifestação mais recente, ocorrida no último domingo (28), houve confronto entre policiais e manifestantes, resultando em feridos, danos materiais e agravando a sensação de instabilidade política.
O movimento, que começou entre estudantes universitários, hoje abrange diversos setores da sociedade, como trabalhadores do transporte, que denunciam o avanço da criminalidade e a falta de políticas públicas eficazes.
Com cartazes marcados pela letra “Z”, em referência à Geração Z, jovens nascidos entre 1995 e 2010, as manifestações ficaram conhecidas como os “protestos da Geração Z”, expressão adotada pela imprensa peruana. A inspiração para a mobilização vem também de movimentos recentes em países asiáticos, como o Nepal e a Indonésia, onde protestos semelhantes conseguiram derrubar governos.
Pesquisas de opinião apontam para uma rejeição popular expressiva à presidente Dina Boluarte e à coalizão de forças políticas que a sustenta no Congresso. O descontentamento lembra episódios turbulentos da história recente do país, como a renúncia do então presidente Manuel Merino, em 2020, e os protestos de 2023 que deixaram dezenas de mortos após a queda de Pedro Castillo.
O movimento mantém caráter descentralizado, com forte articulação pelas redes sociais. Aos poucos, grupos mais organizados, como associações estudantis, passaram a aderir, ampliando sua força. Segundo especialistas, o descontentamento não se limita a questões econômicas: há uma percepção crescente de autoritarismo por parte do governo e do Congresso, fator que tem impulsionado a mobilização nas ruas.
Com os protestos se intensificando e ganhando apoio popular, cresce a pressão sobre o governo peruano, que enfrenta uma das maiores crises de legitimidade dos últimos anos.

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