O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política provocada pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações interrompidas após ser considerada insolvente.
A decisão ocorreu após uma onda de protestos em diferentes pontos do país, protagonizados por clientes que ficaram sem acesso ao próprio dinheiro depois da intervenção do Banco Central paraguaio na instituição. O banco possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes.
As manifestações também passaram a cobrar a saída do presidente, que enfrentava acusações de possíveis conflitos de interesse devido à sua antiga ligação empresarial com o grupo controlador do Ueno Bank. Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, responsável pela instituição financeira, até 2025.
A oposição chegou a apresentar um pedido de abertura de processo de impeachment contra o presidente na Câmara dos Deputados. A pressão aumentou após parlamentares de sua própria base política demonstrarem resistência ao governo.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña confirmou a renúncia e afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população e declarou que espera que os recursos dos correntistas sejam devolvidos.
Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país, conforme as regras constitucionais paraguaias.
A crise do Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso às contas e investimentos e provocou uma das maiores turbulências políticas recentes do Paraguai.

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