Lula e Flávio agora buscam conquistar votos de eleitores que escolheram outros candidatos

 

Segundo turno coloca no centro da disputa 9,3 milhões de votos destinados a outros candidatos e 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas

Com o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 definido entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as duas campanhas agora voltam suas atenções para os eleitores que não escolheram nenhum dos dois no primeiro turno.

No último domingo (4), Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Os demais candidatos somaram aproximadamente 9,3 milhões de votos, o equivalente a 7,81% dos votos válidos. (Folha de S.Paulo)

Esses votos, porém, não representam um bloco único e não há garantia de que serão transferidos integralmente para um dos dois candidatos. A tendência de migração dependerá das posições dos candidatos derrotados e da decisão individual de seus eleitores.

Abstenção também entra no cálculo

Outro grupo que ganhou importância no segundo turno é formado pelos eleitores que não compareceram às urnas. 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno, número que corresponde a uma abstenção de 21,08%. (Jornal de Brasília)

O Nordeste concentrou cerca de 8 milhões de eleitores ausentes. Pernambuco, por exemplo, registrou aproximadamente 1,3 milhão de abstenções, enquanto a Bahia teve cerca de 2,2 milhões. Ceará e Maranhão também ultrapassaram a marca de 1 milhão de eleitores que não compareceram. (Jornal de Brasília)

A região continua sendo um dos principais pontos de atenção da campanha de Lula. No primeiro turno, o petista obteve vantagem sobre Flávio no Nordeste, enquanto o candidato do PL teve desempenho superior em outras regiões do país. (Folha de S.Paulo)

Votos de outros candidatos também são alvo

Do lado de Flávio Bolsonaro, a estratégia passa pela tentativa de atrair eleitores de candidatos que ficaram fora do segundo turno, especialmente nomes identificados com a direita.

Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) já declararam apoio ao candidato do PL. Já Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que também ficaram entre os candidatos mais votados fora da disputa final, não haviam declarado apoio a nenhum dos dois até a publicação da reportagem. (Jornal de Brasília)

A concentração desses votos também é relevante nos maiores colégios eleitorais. São Paulo teve cerca de 2,5 milhões de votos destinados a candidatos que não avançaram, enquanto Minas Gerais registrou aproximadamente 1 milhão e o Rio de Janeiro, cerca de 700 mil. (Jornal de Brasília)

Lula, por sua vez, tem como um dos focos tentar aumentar a participação de eleitores que deixaram de votar. Após o primeiro turno, o presidente chamou atenção para os milhões de brasileiros que não compareceram às urnas e questionou os motivos da ausência.

Com isso, o segundo turno começa com dois grandes grupos no centro da disputa: os eleitores que votaram em outros candidatos e aqueles que não participaram do primeiro turno. A decisão individual desses eleitores será determinante para a composição dos votos na segunda etapa da eleição.

A matéria fica mais segura jornalisticamente ao explicar que 9,3 milhões + 33,4 milhões não são “votos disponíveis”, mas grupos cujo comportamento ainda pode mudar no segundo turno. (Folha de S.Paulo)

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