Declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai geraram críticas de autoridades e lideranças políticas paraguaias. A fala foi feita na última sexta-feira (24), durante visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), enquanto o presidente defendia a importância de investimentos na área de defesa.
Na ocasião, Lula afirmou que o Brasil valoriza a paz, mas relembrou que o Paraguai invadiu o território brasileiro, além do Uruguai e da Argentina, durante o conflito iniciado em 1864. O presidente destacou que a guerra, que parecia não ter grandes proporções, acabou se estendendo por cinco anos.
As declarações repercutiram no Paraguai. O presidente da Câmara dos Deputados do país, Raúl Latorre, integrante do Partido Colorado, divulgou um comunicado classificando a fala como leviana e afirmou que o conflito representou "a maior tragédia da história" paraguaia e "o maior genocídio do continente".
Em tom irônico, Latorre também relembrou uma declaração anterior de Lula sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e afirmou que, caso faltassem jabuticabas ao presidente brasileiro, o Paraguai poderia enviá-las.
O ex-goleiro da seleção paraguaia José Luis Chilavert, que também foi candidato à Presidência do Paraguai, publicou críticas ao presidente brasileiro nas redes sociais. Em sua mensagem, atacou Lula, afirmou que ele desconhece a história do conflito e declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil.
Outro a se manifestar foi o senador Edu Nakayama, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de oposição ao presidente Santiago Peña. O parlamentar afirmou que Lula deixou de mencionar que, antes da campanha militar paraguaia em Mato Grosso, tropas do Império do Brasil haviam invadido o Uruguai, episódio que, segundo ele, contribuiu para o início da Guerra da Tríplice Aliança.
A senadora Esperanza Martínez, integrante da esquerda paraguaia, também criticou o presidente brasileiro. Em publicação nas redes sociais, afirmou que as declarações refletem uma visão imperialista que, segundo ela, procura ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio da elite brasileira sobre o Paraguai.
A Guerra da Tríplice Aliança, travada entre 1864 e 1870, envolveu Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai e permanece como um dos episódios mais marcantes e controversos da história da América do Sul, sendo objeto de diferentes interpretações históricas até os dias atuais.
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