Secretaria apresenta números do mercado regulado de bet no país

Relatório da Secretaria de Prêmios e Apostas revela dados do primeiro ano do mercado regulado, enquanto uma bet aponta perfil do apostador brasileiro.

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) apresentou um panorama abrangente sobre o primeiro ano completo de funcionamento do mercado regulado de apostas de cota fixa no Brasil. O levantamento, divulgado durante o CGS Rio 2026, reúne dados que permitem medir o desempenho do setor, avaliar os efeitos da regulação e antecipar ajustes normativos.

De acordo com o relatório, a Receita Bruta de Jogo (GGR) alcançou cerca de R$ 37 bilhões em 2025, com destinação social de R$ 4,5 bilhões, aproximadamente 12% do montante após impostos e taxas. A SPA destacou também o bloqueio de 25 mil endereços ilegais, resultado de parceria com a Anatel e grandes plataformas digitais. Um “laboratório virtual” foi criado para rastrear transações suspeitas e fortalecer o combate às operações não autorizadas.

As plataformas legalizadas registraram 25 milhões de apostadores únicos identificados por CPF, somando 87 milhões de contas ativas. O total de contas, incluindo múltiplas marcas, ultrapassa 100 milhões. O público masculino é majoritário, e a faixa etária entre 30 e 40 anos concentra o maior número de usuários.

Dados do estudo mais recente realizado por uma bet reforçam os números divulgados pela SPA-MF. Segundo o perfil traçado pela KTO, os apostadores concentram-se nas classes média e média alta, especialmente nas faixas C1 e B1, que representam 47% dos usuários online. Cerca de 59% são homens, e 42% têm entre 25 e 40 anos.

Mais de 90% dos apostadores possuem ensino médio completo, e quase metade tem vínculo formal de trabalho. A pesquisa também mostrou que 63% gastam até R$ 100 por mês em apostas e 68% mantêm fidelidade às mesmas plataformas. Entre os principais motivos para apostar uma bet estão diversão (72%) e complemento de renda (38%), enquanto apenas 12% afirmam depender da atividade como fonte principal de receita.

Apesar dos avanços, a irregularidade ainda representa parcela relevante. Segundo o ex-secretário de Prêmios e Apostas Regis Dudena, cerca de 30% dos sites de apostas que operam no país permanecem ilegais, mesmo após a implementação do marco regulatório.

Ele avaliou o número como um sinal positivo diante do pouco tempo de vigência das normas, mas destacou a meta de “expurgar plenamente esses ilegais” e chegar a 100% de adesão ao mercado autorizado.

O domínio “.bet.br” é o identificador dos sites licenciados pelo Ministério da Fazenda. Apenas as plataformas licenciadas pelo governo têm acesso a este endereço eletrônico, permitindo que a população possa conferir de forma imediata se uma bet opera de maneira legal.

As ações de bloqueio e o controle sobre as casas de apostas integram o esforço de fiscalização que, segundo Dudena, permite proteger o apostador e garantir transparência no setor.

A SPA-MF definiu prioridades para o biênio 2026-2027, entre elas o aprimoramento da transparência de indicadores, a revisão da portaria que trata do bloqueio financeiro de operadores ilegais e a consolidação da regulação B2B. A secretaria pretende também fortalecer os canais de denúncia e ampliar a cooperação com provedores de pagamento e plataformas digitais, em alinhamento com práticas internacionais.

Paralelamente, a Comissão de Esporte do Senado aprovou um projeto de lei que restringe publicidade de aposta eletrônicas. O texto proíbe o uso por uma bet da imagem de atletas, artistas, comunicadores e influenciadores em campanhas de rádio, TV e internet, além de limitar horários de exibição. A proposta ainda será analisada pelo Plenário e, se aprovada, seguirá para a Câmara dos Deputados.


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