| Imagem Ilustrativa |
O Governo Federal decidiu elevar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, com foco predominante em máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia. A iniciativa é interpretada internamente como resposta ao avanço das importações e à redução da participação da indústria nacional em segmentos estratégicos.
As alterações foram formalizadas pela Resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, editada pela Câmara de Comércio Exterior. O texto contempla 1.252 códigos de produtos com novas alíquotas, com vigência a partir de fevereiro e março deste ano.
Setor de tecnologia reage à medida
A reação mais contundente partiu de entidades ligadas ao setor de tecnologia, altamente dependente de equipamentos e componentes importados. Entre os itens impactados estão servidores de processamento de dados, switches, roteadores e outros equipamentos de infraestrutura digital.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Software afirmou:
“Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos”.
Argumentação da equipe econômica
A decisão ocorre em meio à avaliação do governo de que o aumento das importações passou a representar risco estrutural para a indústria brasileira.
Em 2025, as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram aproximadamente US$ 75 bilhões, com crescimento expressivo nos últimos anos. Segundo análise da equipe econômica, o país atravessa um processo de ampliação da dependência de produtos importados, especialmente em setores intensivos em tecnologia e investimento.
Nota técnica do Ministério da Fazenda classificou o movimento como ameaça à estrutura produtiva nacional e defendeu a recomposição tarifária como forma de evitar a perda de capacidade industrial.
De acordo com o documento, os importados já representam cerca de 45% do consumo de máquinas e equipamentos no país e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações — patamares considerados elevados para uma economia do porte brasileiro.
Nova estrutura de alíquotas
A avaliação do governo é de que a recomposição das tarifas pode ajudar a “reequilibrar preços relativos” entre produtos nacionais e importados, incentivando investimentos na indústria doméstica.
Antes da mudança, parte relevante desses itens ingressava no país com imposto muito baixo ou até zerado, especialmente por meio de reduções tarifárias e regimes especiais. Em diversos casos, máquinas e equipamentos estavam sujeitos a alíquotas de 0% ou inferiores a 7%.
Com a nova regra, as tarifas passam a se concentrar principalmente em três faixas: 7%, 12,6% e 20%, substituindo a estrutura anterior marcada por ampla incidência de imposto zero ou percentuais reduzidos.
Setores mais afetados e impacto esperado
O impacto tende a ser mais significativo em setores intensivos em investimento, como mineração, petróleo e gás, energia, infraestrutura e agronegócio, que dependem fortemente de equipamentos importados.
Apesar disso, o governo sustenta que o efeito inflacionário deve ser limitado, uma vez que os produtos atingidos são majoritariamente bens de produção, e não itens destinados ao consumo final.
A medida integra estratégia mais ampla de política industrial voltada à ampliação da produção doméstica de máquinas e tecnologia, alinhada aos objetivos do programa Nova Indústria Brasil.
Segundo a nota técnica da Fazenda:
“Destaque-se, também, que essa proposta se alinha internacionalmente. Vários países elevaram proteção setorial ou por remédios comerciais em subgrupos de máquinas, sinalizando que instrumentos tarifários continuam sendo usados para corrigir choques externos e dumping”.
Mesmo com a elevação das tarifas, o governo manteve exceções para produtos sem fabricação nacional, especialmente por meio de mecanismos como o ex-tarifário e regimes especiais de importação.
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