Juros altos travam crédito para 80% das indústrias, revela pesquisa

Foto: Divulgação/Agência Brasil

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), revelou que 8 em cada 10 empresas industriais enfrentaram dificuldades para obter crédito no último ano. O estudo Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025 aponta os juros elevados como o principal obstáculo tanto para financiamentos de curto e médio prazo (80% das menções) quanto de longo prazo (71%).

Além dos juros, outros entraves citados foram a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).

Selic alta desestimula busca por crédito

A taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano e juros reais próximos a 10% tornam o financiamento caro e inibem investimentos. Como resultado:

54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo nos últimos seis meses;

49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período;

Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, percentual que cai para 17% no longo prazo.

Dificuldade cresce conforme o prazo e o porte

Quase um terço das empresas que tentaram crédito de longo prazo não obteve sucesso. Entre as médias empresas, 43% não conseguiram, enquanto entre as grandes o índice foi de 27%.

Percepção de piora nas condições

Para 35% das indústrias, as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram, enquanto 33% avaliaram negativamente o crédito de longo prazo. Apenas 14% relataram melhora no curto prazo e 12% no longo prazo.

Baixa adesão ao risco sacado

Apenas 13% das empresas industriais contrataram operações de risco sacado (antecipação de recebíveis) nos últimos 12 meses, enquanto 54% não contrataram nem pretendem fazê-lo.

A pesquisa ouviu 1.789 empresas entre 1º e 12 de agosto de 2025, sendo 713 de pequeno, 637 de médio e 439 de grande porte. Os resultados reforçam os desafios do setor produtivo diante de uma política monetária restritiva e da escassez de linhas de crédito acessíveis.

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