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Na posição de Vânio Vieira — Por Bruno Muniz

Foto: Divulgação
Quem não lembra do enigmático rapaz eleito em 2012 ao lado do atual e reeleito em 2016 prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieira (PSDB). Naquele ano, Vânio que possui o mesmo sobrenome do prefeito caminhava junto do mesmo em praticamente todos os eventos que eram realizados durante a campanha. Com um imponente veículo de som, o candidato a vereador era quase sempre requisitado para que sua equipe desse mais 'peso' as movimentações.

Vânio Vieira, que foi eleito com 1.305 votos, ingressou na Casa Dr. José Vieira de Araújo em 2013 com ampla maioria de companheiros. Em seus primeiros discursos, apesar de ainda tímidos, deixou claro que suas ofensivas em plenário seriam focadas em apontar desmandos do grupo oposicionista. Porém, o namoro iniciado durante a campanha de 2012 não durou muito e o vereador rompeu com seu grupo político.

Vânio Vieira cortou suas alianças com o prefeito Edson Vieira e seu grupo seguindo o vice-prefeito Dimas Dantas, do PP. Na oportunidade, Dimas deixava de militar ao lado do tucano alegando supostas irregularidades da gestão. No entendimento de Vânio que já caminhava com instabilidade na situação, aquele foi o momento ideal para se desprender do vínculo criado em 2012 durante a ascensão do candidato Edson.

Em 2015, Vânio Vieira deixou o PSDB e migrou para PTB, mesmo após ter sua ida para o DEM, partido comandando pela ex-vereadora Zilda Moraes, especulada nos meios de imprensa. Nesse meio tempo, fez oposição ferrenha ao atual prefeito, inclusive soltando intercaladamente áudios comprometedores gravados durante reuniões internas do seu antigo grupo político. Os ditos áudios, dividiam opiniões e é claro, geravam sempre muitos episódios cômicos por parte do eleitorado.

Vânio só confirmou sua ida de fato para o grupo oposicionista já próximo das eleições de 2016, onde aderiu ao na época candidato a prefeito Fernando Aragão. O leitor lembra com clareza, após uma imensa expectativa, o dia em que o parlamentar entrou num evento da oposição na câmara sendo carregado nos braços por membros do grupo. Meses antes, naquela mesma casa, chegou a ocupar o local destinado ao sonoplasta por 'não se identificar' com nenhuma das duas bancadas.

Enfraquecido após uma série de episódios polêmicos, Vânio obtém nas eleições de 2016 apenas 630 votos, ficando no 28º lugar entre os parlamentares melhor colocados. Ou seja, distante demais para sequer assumir um dia como suplente. Hoje, pouco se ouve falar do ex-vereador na cidade, sendo ele um dos que desde então menos apareceu na imprensa por decisão própria.

Joab do Oscarzão – PSD

Hoje, um parlamentar que vive um momento semelhante ao de Vânio Vieira é Joab do Oscarzão. Eleito em 2016 com 1.180 votos, o vereador que milita até os dias de hoje pela causa habitacional passou por diversos processos nos últimos anos até reconhecer que o seu perfil, militante de esquerda, não condizia com a realidade de um governo tucano, dentre outros fatores.

Joab que chegou a figurar por tantas vezes ao lado do prefeito, participar de evento que tinha como objetivo o anúncio de casas populares ao lado de Bruno Araújo (PSDB) – figura crucial no Impeachment de Dilma Rousselff – e até mesmo assumir a Secretaria de Habitação do município, encerrou sua aliança com o gestor da 'Capital da Moda' em 2018 e aliou-se ao deputado Diogo Moraes (PSB).

Comprometido com membros do seu antigo grupo político que repudiaram as suas atitudes, Joab do Oscarzão ouviu essa semana, da boca do atual líder da oposição, Ernesto Maia (PT), que o mesmo deverá ficar só devido as suas escolhas. Em resumo, o assumidamente – com orgulho – integrante do MTST que viu a classe sofrer baixas após a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) caminha para 2020 desalinhado com oposição e situação, mas alinhado com uma posição que um dia fora de um homem só: Vânio Vieira.

Por Bruno Muniz


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