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'Serei sua amiga', diz tia de vítima ao perdoar autor de latrocínio em São Caetano, no Agreste

Foto: Reprodução (TV Asa Branca)
''Não se assuste um dia quando você tiver sua liberdade e me encontrar na rua. Venha me cumprimentar. Serei sua amiga''
Estas foram as palavras ditas por Maria Madalena ao perdoar o homem que está preso por matar o sobrinho dela. O crime ocorreu em 20 de julho de 2011 na zona rural de São Caetano, Agreste de Pernambuco. O encontro foi exibido no ABTV 1ª Edição desta segunda-feira (28), na primeira reportagem da série "As Sombras do Crime".

Erivan José tinha 23 anos quando foi assassinado. A vítima morava com a tia e a avó em São Caetano. Desde o dia em que ele foi morto, a tia contou que não tem mais uma vida plena.
"Eu não tenho mais felicidade completa. As coisas boas têm vindo para mim, mas não são completas. Porque quando chegam essas coisas boas, eu me lembro logo: e aquele? Tão novo, com 23 anos, que sonhava com tantas coisas boas para ele e acabaram?", relembrou.
Segundo a tia de Erivan, os vizinhos falavam que, após o crime, ouviam a mãe dela chamando pelo neto.
"Quando ela caiu na realidade, foi querendo ficar só na cama. O médico disse: 'Não tem jeito, não. Ela está numa depressão profunda'. Ela ficou com problemas mentais e, praticamente, foi embora", disse.
Por outro lado, o homem condenado pelo crime sofre as consequências. O autor do latrocínio cumpre pena na Penitenciária Juiz Plácido de Souza (PJPS), em Caruaru, na mesma região.
“Eu nunca vou ter sossego. Sempre vou ter um 'aperreio', sempre vou estar pensando, preocupado...”, ressaltou. Ele foi preso um dia depois do corpo da vítima ser encontrado. O detento foi julgado e condenado a 27 anos de prisão.
O crime
No dia em que foi morto, o sobrinho de Maria Madalena voltava para o sítio no qual morava. Erivan havia saído de uma confraternização e, quando seguia por uma estrada de terra, caiu da moto.
"Ele ficou tonto e caiu de bruços. Foi quando a moto pulou e ficou presa na cerca junto de uma árvore. Ele fez barulho pedindo socorro, mas as pessoas falaram que não vieram porque não deu para reconhecer ele naquele momento. Isso porque a luz daqui [estrada de terra] estava pouca e também porque ficaram com medo, pensando que poderia ser algum bandido", explicou a tia da vítima.
"Chegaram dois homens em uma mesma moto. Dizem que o que guiava pulou primeiro e foi dizendo assim: 'O que é isso? Estás colocando uma verde para me pegar?' E o meu sobrinho disse: 'Não, amigo. Eu bebi demais, fiquei tonto e me desequilibrei da moto, caí e estou sem poder me levantar. Me ajude'", contou Maria Madalena.
O autor do crime disse que, inicialmente, quis ajudar Erivan e confessa o arrependimento.
"Eu cheguei a levantar ele e colocar na moto. Não tinha como eu levar ele [para casa]. Foi tudo muito de repente. Depois houve uma discussão e chegou a ocasião de disparar um tiro nele. Eu acabei com a minha vida. Foi uma coisa que não era para ter acontecido", afirmou.
O detento, após cometer o assassinato, roubou a moto e outros pertences da vítima. Ele também escondeu o corpo, que foi localizado após quatro dias.


Perdão
“Jesus, lá na cruz, mostrou para nós que temos de perdoar o nosso inimigo. Quando eu me lembrava de Erivan, eu pensava: Meu Deus, eu tenho que perdoar o assassino”, contou Maria Madalena.
No dia 16 de setembro, o homem que matou Erivan José e a tia da vítima conversaram, em um encontro na penitenciária de Caruaru. Maria Madalena relembrou o crime e falou sobre a dor que o fato causou à família.
“Por que você matou ele?”, questionou.
Após o diálogo, abraçou o autor do latrocínio e afirmou: "De dois anos para cá, eu conversei muito com Deus nos meus momentos de orações. Eu pedi a Ele para me dar o dom de perdoar e você está perdoado. Você tem um futuro pela frente. Você é muito jovem e pode ser alguém importante na vida. Procure ser um cidadão, um homem de bem. Honre a sua família".

G1 - Caruaru e região

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