Crianças caçam ratos para comer no interior na Paraíba

Fotos: Portal Correio
Este mês uma matéria publicada em um jornal online da Paraíba chocou a todos nós da redação do Blog Santa-cruzense, bem como a todos que a leram. A mesma da conta de que em alguns locais mais carentes do município de Alagoa Grande (a 107 km de João Pessoa) crianças estão caçando ratos para completarem a alimentação da família.

Não, você não leu errado, as crianças caçam e se alimentam dos roedores. Em uma comunidade denominada como Sítio Tambor, o fato já se tornou rotineiro entre crianças das mais variadas idades, todos saem diariamente em busca dos ratos que mais tarde serão a ''mistura'' em suas mesas.

As famílias informam que não há renda suficiente para comprar os alimentos necessários aos quais os mesmos precisam, dessa forma, já há algum tempo os mesmos optaram por se alimentar dos ratos, já que a presença dos mesmos é abundante na região.



Uma das das crianças revelou que a captura do animal é feita de maneira totalmente artesanal, onde armadilhas são postas em pontos específicos da cidade.
''A gente vai um dia sim, outro não. A gente mete o pau no ninho e mata os ratos, daí trazemos para casa para comer (sic)'' disse um garoto de apenas 10 anos.

As condições nas residências são precárias, pisos apenas com aterro, paredes rachadas e sem reboco, fogão com lenha e pouco alimento.


A precariedade se estende por todos os cômodos das pequenas residências. Quem possui cama estão no estado como a acima mostrada, as crianças mais pequenas dormem em colchonetes no chão. A falta de higiene do local também assusta, a família inteira sobrevive sem as minimas condições de saúde básicas.

E por falar em saúde, o que dizer da alimentação a base de ratos, que no caso são encontrados na maioria das vezes em locais sujos, típicos dessa espécie. Todas as crianças estão sujeitas a contraírem sérias bactérias consumindo este tipo de alimento, se é que isto pode ser caracterizado como alimento.


O prefeito do município informou que já tentou ajudar o povoado, mas que não teria obtido ''exito''. O fato é, estas pessoas estão englobadas na categoria de extrema pobreza.

Em um de seus relatos, o blogueiro Júlio Araújo falou sobre o que presenciou na localidade.
“Eu fui até a casa da família para fazer uma reportagem sobre um homem que tinha morrido na comunidade. Quando estava iniciando a matéria, vi as crianças saindo do mato com os animais e todos tratados. Perguntei para qual a finalidade dos animais e eles foram enfáticos: para comer. Fiquei chocado com a situação de pobreza da família”.
“Podemos dizer que é uma pobreza muito grande, que não sei mensurar. Fiquei muito chocado e comovido. Eles bebem água barrenta que pegam em um açude. Daí, usei o jornalismo para tentar ajudar essa família e amenizar a dor dessas crianças”, disse o blogueiro.
Segundo informações da reportagem, algumas famílias recebem a quantia de R$ 250,00 através do Programa Social Bolsa Família, entretanto, algumas com nove ou mais membros, não é o suficiente nem para uma semana de despesas.

Os relatos vão além do que ainda podemos imaginar, segundo informações que recebemos, recentemente um chefe de família cometeu suicídio porque estava devendo uma cesta básica de R$ 150,00 de uma cesta básica que adquiriu para alimentar os nove filhos.

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