Raio X das urnas em Santa Cruz.

Geralmente os políticos utilizam a eleição nacional anterior como parâmetro para a eleição municipal seguinte. Neste sentido vamos analisar o que as urnas nos revelaram, nesta eleição de 2014.

Vamos começar pelo prefeito. Edson Vieira (PSDB) saiu das eleições de 2014 do mesmo tamanho que entrou. Pois com uma boa avaliação que seu governo se encontra, comandou toda a campanha, dando uma boa votação a Diogo Moraes (PSB). Porém está acontecendo um amadurecimento político em nossa cidade. Em um artigo anterior, rebati a questão da campanha do “voto fechado” e as urnas mostraram que só aqueles que ainda matem a paixão política e votam em quem o “mestre mandar”.  Notamos que grande parcela do povo santa-cruzense não votou fechado.

Percebemos que o povo dar um recado: Apesar do prefeito Edson está bem avaliado, o povo não dar grande votação a seus candidatos, como forma de alerta, ou seja, o povo quer trabalho.

O deputado Diogo Moraes, não teve uma grande votação, como todos esperavam, tendo em vista que é do PSB, sigla de Eduardo Campos, que deu uma grande votação a seus candidatos, além de ter contado com todo apoio do prefeito, vereadores e toda base do governo. Creio que seus aliados esperavam que Diogo estivesse entre os 10 mais votados, porém ficou entre os últimos da coligação. Já o federal do prefeito Bruno Araújo (PSDB) ficou longe da votação de Diogo. Com apenas 31% dos votos, significa dizer que pouco mais da metade dos eleitores que votaram em Edson, votaram em Bruno. Outro fator é que juntando os votos de Ricardo Teobaldo (PTB) e Eduardo da Fonte (PP) equivalem a 41%.

Outro fato que merece destaque foi a vitória de Armando Monteiro (PTB) sobre Paulo Câmara (PSB), com uma diferença de 1431 votos. Já Fernando Bezerra (PSB) venceu João Paulo (PT) com uma diferença de 1839 votos. Isso mostra mais uma vez um amadurecimento político, não votando fechado para governador e senador.

Em síntese, o resultado das urnas mostrou que a oposição não está morta, e que se conseguirem vencer as brigas internas e se unirem, pode dar trabalho a reeleição de Edson Vieira. E no grupo de oposição merece atenção a expressiva votação de Toinho do Pará, que mesmo em palanque dividido, com pouco apoio  e uma estrutura bem menor que a de Diogo, que contava com apoio da máquina, Toinho saiu das urnas bem maior que entrou, e sem dúvidas é um dos nomes fortes para concorrer à prefeitura em 2016. Já Ernesto Maia e Dimas Dantas, que ambos se lançaram candidatos com projetos pessoas, saíram das urnas menores do que entraram e terão que repensar seus destinos políticos.

Ao contrário de Dimas, Eduardo da Fonte foi sem dúvidas o maior vencedor em Santa Cruz, obteve mais que o dobro da votação de Dantas, sem fazer campanha. Dudu se torna um político forte em nossa cidade.

Já com relação a Zé Augusto, fica difícil fazer uma análise sobre seu atual poder político, por ele não ter concorrido. Não podemos atribuir a vitória de Armando como vitória exclusiva de Zé, tendo em vista que João Paulo perdeu, mas sim à rejeição de Câmara, devido às ditas fiscalizações, quando o mesmo era Secretário da Fazenda.



Marciel Aquino
(Política)

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