O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (14), que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, será responsabilizado caso as investigações das quais é alvo comprovem que ele cometeu irregularidades.
Em entrevista ao podcast Não Inviabilize, Lula afirmou que acredita na versão apresentada pelo filho, que nega as acusações, mas disse que não pretende interferir nas investigações.
“Se meu filho tiver culpa, ele pagará”, declarou o presidente. Lula também afirmou ter orientado os advogados de Lulinha a não pedirem o encerramento dos processos que envolvem o empresário.
Segundo o presidente, Lulinha “jura” que não cometeu irregularidades. Ainda assim, Lula defendeu que as investigações prossigam para esclarecer os fatos.
“Quero que seja investigado, como eu fui”, afirmou.
Três inquéritos investigam Lulinha
Lulinha é alvo de três investigações conduzidas pela Polícia Federal que apuram suspeitas relacionadas a tráfico de influência e possível atuação em favor de empresas interessadas em negócios com o governo federal.
Dois dos procedimentos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles envolve suspeitas relacionadas às fraudes em pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), enquanto outro apura possíveis interferências em negociações envolvendo cannabis medicinal e contratos com o poder público.
A PF também investiga se Lulinha teria atuado para beneficiar uma empresa de tecnologia em negócios com a Dataprev, estatal responsável por sistemas e bases de dados utilizados pelo governo.
O terceiro inquérito foi autorizado pelo ministro Flávio Dino e busca apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo a atuação de Lulinha em setores do governo federal. Dino também determinou uma investigação sobre o vazamento dos pedidos da Polícia Federal para abertura dos procedimentos.
A defesa de Lulinha afirmou estar tranquila com a abertura do novo inquérito e disse que o empresário pretende comprovar que não possui relação com qualquer irregularidade.
Viagem à Europa e empresário investigado
Durante as apurações relacionadas às fraudes no INSS, a Polícia Federal identificou informações de que Lulinha teria realizado uma viagem à Europa, no fim de 2024, custeada pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Na época, Antunes era proprietário da empresa World Cannabis, que atuava no segmento de medicamentos à base de cannabis e tinha interesse em contratos com o poder público.
Os investigadores identificaram relação entre Lulinha e Antunes, mas não apontaram conexão direta entre a viagem e as fraudes no INSS. Por isso, o caso passou a ser objeto de uma investigação específica.
Transferência para ex-chefe do gabinete presidencial
As investigações também alcançaram uma transferência financeira realizada pela empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga e lobista ligada a Lulinha, para Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República até recentemente.
Marcola deixou a função há cerca de duas semanas. Segundo ele, o dinheiro recebido de Roberta foi um empréstimo posteriormente quitado, e não houve qualquer irregularidade na operação.
Roberta é investigada em procedimentos que envolvem Lulinha, inclusive em apurações relacionadas à atuação junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial.
A defesa da empresária não se manifestou sobre o caso.
Durante a entrevista, Lula também evitou comentar a atuação do ministro André Mendonça nos processos que envolvem seu filho. O presidente afirmou que não pretende fazer juízo de valor sobre investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal.
As investigações ainda estão em andamento e não há, até o momento, condenação de Lulinha pelos fatos apurados.
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