| Foto: evinho_stamp |
Em vídeo que repercute na região, empresário questiona a cultura organizacional das empresas e afirma que apenas o salário não retém talentos no mercado atual.
SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE A constante queixa sobre a escassez de mão de obra no Polo de Confecções de Pernambuco ganhou um novo e provocativo capítulo nesta semana. Em um vídeo que está gerando forte repercussão entre confeccionistas e colaboradores da região, o empresário Evinho, da marca Evinho Stamp, trouxe uma reflexão contundente que joga o foco do problema de volta para dentro das organizações.
Ao contrário do discurso comum que culpa a assistência governamental ou programas sociais como o Bolsa Família pela falta de trabalhadores, Evinho aponta o dedo para a postura dos próprios líderes.
"Cuidado, porque às vezes a culpa não é do governo. A culpa pode estar na sua empresa e, às vezes, em você como gestor", alertou o empresário.
Liderança pelo exemplo e respeito
Para Evinho, a solução para a rotatividade de pessoal e para a dificuldade de contratação passa obrigatoriamente pela mudança de comportamento dos patrões. Ele enfatiza que o ambiente de trabalho e o tratamento humano são os verdadeiros diferenciais na era atual.
"Qual é o exemplo que você está dando para a sua empresa? Aprenda a tratar gente como gente: com respeito e com honestidade. Faça o colaborador se sentir bem onde ele trabalha, pois só o valor do salário não segura ele não. Você pode até contratar, mas segurar, você não segura", disparou.
O reflexo na prática
Como contraponto à realidade de alta rotatividade do Polo, o empresário usou a própria fábrica como exemplo de que uma cultura organizacional saudável gera resultados práticos. Segundo ele, a empresa está em ritmo de expansão e contratando novos profissionais, mas sem a necessidade de demitir ou substituir os antigos.
"A maioria das pessoas que entram aqui para trabalhar, permanece. O ambiente é saudável e eles veem o quanto a gente valoriza cada um. A gente está contratando agora para aumentar os processos, para crescer, e não para trocar ninguém", explicou.
"Graças a Deus que amanhã é segunda-feira"
Ao finalizar o desabafo, Evinho Stamp fez um apelo para que os empresários locais conhecidos pela força de trabalho e resiliência também dediquem energia para melhorar o clima interno de suas confecções.
"Às vezes você reclama, mas a culpa está em você, empresário. Você é um cara lutador, que paga seus impostos, mas às vezes não tem uma cultura bacana para o colaborador. O objetivo deve ser fazer o cara chegar no domingo à noite e falar: 'Graças a Deus que amanhã eu vou trabalhar'. Pensem nisso, vejam se não faz sentido", concluiu.
A declaração acende um debate necessário no Polo de Confecções sobre a modernização das relações de trabalho e o endomarketing, mostrando que a competitividade do setor de moda agora depende, mais do que nunca, da valorização do capital humano.
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