Startup Entrega+ recebe investimento de R$ 1 milhão de fundo gerido pela Triaxis Capital e Crescera Capital

Foto: Divulgação

Enquanto boa parte do venture capital brasileiro ainda concentra apostas no eixo Rio-São Paulo, uma startup nascida no interior de Pernambuco começa a chamar atenção ao atacar um dos maiores mercados negligenciados do país: o atacado de moda operado via WhatsApp. A empresa acaba de levantar investimento inicial no valor de R$ 1 milhão, realizado pelo fundo gerido pela Triaxis Capital e pela Crescera Capital, gestoras responsáveis pelo FIP Nordeste Capital Semente. A Triaxis Capital, que mantém escritório em Recife desde 2012, foi uma das primeiras gestoras a apostar sistematicamente na região. Atualmente, atua em três fundos, todos em parceria com a Crescera, em diferentes fases do ciclo de investimento. No primeiro fundo nacional, o Criatec II, a gestora já realizou distribuições relevantes aos cotistas e segue em fase de desinvestimento das empresas remanescentes do portfólio. Já o Criatec IV e o FIP Nordeste Capital Semente estão em pleno período de investimento e construção de portfólio, somando cerca de R$ 400 milhões disponíveis para alocação nos próximos anos. A rodada reforça uma tese clara: existe um enorme mercado offline sendo reorganizado por software. Um problema simples, mas massivo Nos polos de confecções do Brasil, bilhões de reais circulam todos os anos em um sistema ainda fragmentado. Pedidos são feitos via WhatsApp. O relacionamento é gerido na memória do vendedor. Follow-ups se perdem. E a escala depende diretamente do esforço humano. Foi nesse cenário que a startup decidiu atuar. A proposta não foi criar “mais um CRM”, mas sim estruturar o que já existia, transformando conversas em processos e atendimento em uma verdadeira máquina de vendas: o Modall. A aposta: IA no canal onde a venda já acontece Ao invés de tentar mudar o comportamento do lojista, a empresa construiu sua solução em cima do próprio WhatsApp. O produto combina CRM com inteligência artificial para: • responder clientes  • organizar funis  • automatizar recontatos  • estruturar dados que antes eram informais  Na prática, a startup está criando uma camada de software sobre o principal canal comercial do setor. Tração antes do capital Além da plataforma principal, a startup já desenvolveu outras soluções relevantes para o setor, como o Talão Digital, um software que organiza e digitaliza os envios de mercadorias das transportadoras nos polos de confecção, e o IA.go, uma inteligência artificial no WhatsApp que conecta lojistas e clientes a opções de frete de forma simples e rápida. Com isso, antes mesmo da rodada, a empresa já apresentava sinais claros de product-market fit: • Mais de 40 milhões de atendimentos digitalizados  • Digitalização de bilhões de reais em envios de mercadorias  • Presença consolidada dentro do Polo de Confecções  Os números ajudam a explicar o interesse do fundo: não se trata de uma aposta em ideia, mas em execução validada em um mercado real. Cultura, time e impacto regional Por trás da tecnologia, a startup nasce dentro do próprio Polo de Confecções, construída por um time que vive de perto os desafios do setor e entende suas dinâmicas na prática. A cultura da empresa é baseada em proximidade com o cliente, inovação, execução rápida e foco em resultado, refletindo a realidade de um mercado onde velocidade e adaptação são essenciais. Mais do que desenvolver software, a proposta é gerar impacto direto na região, contribuindo para a digitalização de um dos principais motores econômicos do Nordeste. Esse tipo de iniciativa também reforça um movimento maior: a descentralização da inovação no Brasil, com startups surgindo fora dos grandes centros e resolvendo problemas reais de mercados locais com potencial nacional. “Estamos criando um Ecossistema Digital para o mercado de Moda Brasileira, sempre ouvindo os nossos clientes, com um time engajado e uma cultura forte, isso é só o começo”, afirma Murilo Albuquerque, um dos fundadores da startup. Um mercado grande, ignorado até agora O atacado de moda no Nordeste movimenta bilhões, mas ainda opera com baixa digitalização. Isso cria uma oportunidade clássica de venture: • mercado grande  • problema claro  • baixa penetração tecnológica  • comportamento já consolidado (WhatsApp como principal canal)  A startup entra nesse espaço como uma solução vertical, desenhada especificamente para esse contexto, algo que plataformas generalistas ainda não conseguiram resolver. O que o fundo está comprando O investimento do FIP Nordeste Capital Semente vai além de capital. A aposta é que a empresa pode se tornar a infraestrutura digital de um setor inteiro. Em outras palavras: não apenas vender software, mas se posicionar como peça central na operação das empresas de moda. O próximo movimento Com o novo aporte, o foco agora é acelerar. A startup pretende: • evoluir a plataforma de IA para transformar informação em mais vendas e crescimento para os clientes  • expandir sua base para outras regiões do Brasil  • conectar vendas, dados e logística em um único ecossistema  Se a tese estiver correta, o que hoje é uma plataforma de vendas pode se tornar algo maior: A camada que organiza como bilhões em moda são vendidos no Brasil. 

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