| Imagem Ilustrativa |
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço do Ministério das Mulheres, contabilizou 1.088.900 atendimentos ao longo de 2025, o que representa uma média de quase 3 mil registros por dia. O número indica um crescimento de 45% em relação ao ano anterior.
Do total de atendimentos, 155.111 foram denúncias de violência contra mulheres, um aumento de 17,4% na comparação anual. Em média, o país registrou 425 denúncias por dia.
Além das denúncias, o serviço também atende solicitações de informação sobre a rede de proteção às mulheres, políticas públicas e campanhas de enfrentamento à violência. Os dados foram divulgados na quarta-feira (15).
Maioria dos casos ocorre dentro de casa
Entre as denúncias registradas, quase 70% das agressões ocorreram no ambiente doméstico. Desse total, 40,76% aconteceram na residência da vítima e 28,58% em imóveis compartilhados com o suspeito.
A casa do agressor aparece em 5,39% dos casos (8.356 registros). Já as vias públicas correspondem a 2,96% das ocorrências (4.587 denúncias), mesmo percentual observado para episódios de violência em ambiente virtual.
Vítimas são as principais denunciantes
O levantamento mostra que 66,3% das denúncias (102.770) foram feitas pelas próprias vítimas. As denúncias anônimas somaram 16,9% (cerca de 26,2 mil registros), enquanto familiares, amigos ou vizinhos foram responsáveis por 16,8% (26.033 casos). Em 53 situações, o próprio agressor realizou a denúncia.
Violência recorrente preocupa
Os dados revelam a persistência da violência contra a mulher no país. Em 20,91% dos casos (32.435), as vítimas relataram conviver com agressões há mais de um ano. Já 10,15% (15.740) indicaram episódios iniciados há até 30 dias.
Quanto à frequência, 31,86% das denúncias (49.424) apontam agressões diárias. Casos semanais representam 8,10% (12.561) e mensais, 1,82% (2.817). Outras 17,39% das vítimas (26.980) sofreram violência de forma ocasional, enquanto 10,50% (16.288) relataram episódio único. Em 25,38% dos registros (39.367), não houve informação sobre a periodicidade.
Mulheres negras são as mais afetadas
A análise por raça/cor indica maior incidência de violência contra mulheres negras (pretas e pardas), que correspondem a 43,16% das denúncias. Desse total, 33,46% referem-se a mulheres pardas (51.907 registros) e 9,70% a mulheres pretas (15.046).
As mulheres brancas somam 32,54% das denúncias (50.474 casos). Já mulheres amarelas aparecem em 0,52% dos registros (807 ocorrências) e indígenas em 0,31% (488 casos). Em 23,45% das denúncias (36.389), não houve declaração de raça ou cor.
Canais de denúncia
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos seguintes canais:
- 180 – Central de Atendimento à Mulher
- 197 – Polícia Civil
- 190 – Polícia Militar (em situações de emergência)
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