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Ministério Público de Pernambuco aponta gestor de eventos de Santa Cruz como pivô em suposto esquema de corrupção

Órgão aponta que secretário, residente em Caruaru, se utilizava do erário para enriquecimento de maneira ilícita.
Foto: Bruno Muniz (Agreg Imagem)
Em 2018, o vereador Ernesto Maia (PT) apontou um suposto caso de superfaturamento na locação de estrutura para um evento natalino ocorrido no final de 2017. A partir deste ponto, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) iniciou investigações sobre o caso envolvendo sobretudo o gestor de eventos e turismo de Santa Cruz do Capibaribe, Cláudio Soares e a sua esposa, Andreza Soares.

As investigações em um primeiro momento chegaram até Maria José da Silva Ferreira. De acordo com Cláudio Soares, as notas teriam sido emitidas para esta senhora devido a um erro de interpretação, já que neste ponto a empresa que realmente tinha um contrato para fornecimento de estrutura para eventos não teve como atender as demandas do órgão público durante a referida festa natalina.

Cláudio apontou ainda, em justificativas emitidas ao órgão fiscalizador, que iria solicitar a devolução dos valores fracionados totalizando R$ 74.750,00 (setenta e quatro mil, setecentos e cinquenta reais) a pessoa de Maria José da Silva Ferreira. Para o MPPE, as explicações do gestor de eventos não se enquadram em âmbito inconsistentes. Ou seja, inaceitáveis.

A denúncia do vereador também apontou que os pagamentos ocorriam desde o ano de 2015. Um dos pontos cruciais das investigações apontou uma séria irregularidade ao expor que Maria José, na realidade, declarou ser babá da filha do gestor de eventos, Cláudios Soares. Esta por sua vez jamais firmou contratos comerciais com órgãos públicos.

Residente em Bezerros, Maria José afirmou que cuida da filha do casal Soares em Caruaru. Sendo esta, segundo ela, a sua única atividade profissional atual. Maria José disse receber apenas R$ 950,00 (novecentos e cinquenta reaisi) por mês, e que jamais recebeu outros valores provenientes de outros serviços, tampouco do setor público.

Para o Ministério Público, Cláudio teria se valido do setor público para buscar enriquecimento ilícito. Para o órgão está claro que o gestor de eventos se valeu do seu poder como secretário para obter recursos, fazendo inclusive a sua funcionária pessoal de 'laranja'. O MPPE também sustenta falsificação de documentos e provas por parte do secretário.

Entre os anos de 2015 e 2018, Cláudio Soares movimentou em suas contas pessoais mais de R$ 1,2 milhão, valor que seria desproporcional a folha salarial do mesmo. A esposa de Cláudio, Andreza, também está diretamente envolvida com as irregularidades, segundo o MPPE. Ela recebeu um cheque curiosamente no mesmo valor que segundo Cláudio teria sido pago de maneira 'equivocada' a sua babá.

Atualmente Andreza também ocupa um cargo público. Ela é servidora do Fundo Municipal de Assistência Social de Santa Cruz do Capibaribe, considerada uma das pastas de influência da gestão. Diante de todo o exposto, o MPPE pede o afastamento de Cláudio de Soares e Andreza Soares dos cargos, assim com o bloqueio de bens dos mesmos.

Caso o juiz do caso acate a denúncia, o casal irá responder oficialmente por improbidade administrativa, podendo o caso tomar até proporções criminais. Os envolvidos ainda não se pronunciaram sobre a denúncia.



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