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Cientista político do MIT fala sobre reformas educacionais em países em desenvolvimento

Foto: Divulgação
O professor e pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Ben Schneider, ministrou, nesta quinta-feira (14.12), na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) palestra sobre o tema “A Política das reformas educacionais em países em desenvolvimento”. O evento foi aberto ao público, que lotou a sala de monitoramento da Seplag para conferir as ideias do pesquisador norte-americano que  é também codiretor do programa MIT-Brasil e têm como áreas de interesse em pesquisa temas como reformas econômicas, democracia, tecnocracia, desenvolvimento estatal, burocracias comparadas e política na América Latina.

Atualmente, o professor desenvolve duas grandes pesquisas, sendo uma delas sobre a política das reformas educacionais, tema que foi o foco da palestra. Ben Schneider chegou ao Brasil em novembro e vai passar quatro meses coletando dados para sua pesquisa.
“A palestra que ministrei teve como base os exemplos do Chile e do Equador, países que realizaram reformas e onde eu já fiz coleta de dados. Agora estou no Brasil para continuar a pesquisa. Um dos locais que decidi fazer entrevistas foi aqui em Pernambuco onde sei que foi realizada uma impressionante reforma educacional”, afirmou o pesquisador.
Usando os exemplos do Chile e do Equador, Ben Schneider lembrou que não há uma receita pronta para garantir que uma reforma seja bem sucedida.
“Não há uma ‘bala de prata' que vai resolver os problemas de uma vez, mas alguns pontos podem convergir para facilitar a realização de reformas educacionais”, disse.
Entre estes pontos, Ben Schneider fala da despolitização da educação, no sentido de que as reformas devem ter uma continuidade, independente de qual partido político seja vitorioso nas eleições. De acordo com Ben, as relações com os sindicatos também precisam ser revistas.

O pesquisador falou como as reformas podem acontecer de forma diversa.
“No caso do Chile, aconteceu de forma imposta de cima para baixo e no Equador foi mais discutido com a sociedade, através de referendo popular”, detalhou Ben Schneider.
No entanto, para o professor, o que importa é que as reformas precisam ter continuidade, que precisam de apoio da sociedade civil organizada e que o empresariado entenda que é fundamental apoiar as reformas educacionais, porque a melhoria na educação aumenta diretamente a competitividade e a produtividade dos países.    

Em relação ao Brasil, Ben Schneider fez questão de ressaltar que as reformas educacionais não precisam necessariamente de muitos recursos, e usou os casos bem sucedidos de Pernambuco e do Ceará, que vêm alcançando bons resultados no desenvolvimento do ensino, para confirmar esta tese.
“No geral, não era pra ser difícil fazer as reformas educacionais, mas a gente vê que, é sim, muito difícil. A falta de continuidade e principalmente a falta da pressão da sociedade como um todo e do empresariado atrapalha a realização das reformas”, afirmou.
Frederico Amancio, secretário Estadual de Educação, compareceu ao evento e fez questão de contribuir após a explanação do professor norte-americano.
“É muito bom receber o professor Ben Schneider aqui em Pernambuco para discutir o tema das reformas na educação. Avançamos muito aqui no Estado nos últimos 10 anos, mas ainda falta muita coisa para melhorar. O Brasil é dos países mais complexos para se realizar uma reforma educacional, porque há três instâncias que comandam a educação, o Governo Federal, os Estados e os Municípios. Portanto, é fundamental ouvir o que o pesquisador tem a dizer”, afirmou o secretário.
A palestra foi organizada pelo Instituto de Gestão Pública de Pernambuco Governador Eduardo Campo (IG-PE). Marcelo Bruto, secretário executivo de Desenvolvimento do Modelo de Gestão, falou da importância deste evento para o Estado.
“Pernambuco tem sido um dos estados pioneiros em reformas voltadas para a melhoria da qualidade no ensino no Brasil, como demonstram os resultados do IDEB, e o professor Ben Schneider apresentou sua pesquisa sobre o tema em países em desenvolvimento. Foi uma oportunidade para interação entre a experiência pernambucana e a de países de renda média”, explicou Marcelo.
Além de Frederico Amancio e Marcelo Bruto, também compareceram ao evento os secretários executivos da Seplag Anderson Freire, Hélida Campos e Adriano Danzi e representantes da Universidade de Pernambuco (UPE), do Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), do Centro de Formação dos Servidores e Empregados Públicos do Estado de Pernambuco (Cefospe), entre outros.


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