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Sobre a possibilidade de nova greve dos caminhoneiros — Por Beethoven Barbosa


Nesse último fim de semana, “viralizou” a notícia sobre uma nova greve de caminhoneiros. Em nota a UDC (União dos caminhoneiros do Brasil) acusa o governo de não ter cumprido o que foi ajustado em relação ao preço do diesel. Além dessa pauta, eles também reclamam que a ANTT (agência nacional de transportes terrestres) não tem promovido uma efetiva fiscalização no sentido de impor às transportadoras que cumpram a tabela mínima do frete.

Em outras palavras, no que atine a possibilidade dessa nova greve dos caminhoneiros, que de acordo com a nota oficial supracitada, pode ocorrer a  partir do dia 10 de setembro, pode-se dizer que sua principal motivação é fazer valer o tabelamento do frete de carga. Eles desejam que a ANTT obrigue, por meio de mais fiscalização, que as transportadoras paguem o que esse tabelamento estabelece.

Trocando em miúdos, eles querem que se imponha um tabelamento de preços. Ora, nós bem sabemos que é impossível tabelar um preço e não colher as consequências catastróficas de tal controle. Controle de preços não funciona. Imagine só, se uma lei venha a impor um tabelamento de preços nacional, sem levar em consideração as peculiaridades logísticas e detalhes de cada tipo de operação de transporte, o que nós teremos como consequência é o colapso do sistema de carga.

As entidades que estão se mobilizando por essa nova paralisação, querem um tabelamento pra cima dos preços. Todavia esse tabelamento se apresenta inviável, tendo em vista que, ao se fazer as contas, já tem empresa que preferem comprar um caminhão e contratar um caminhoneiro (justamente como uma forma de “burlar” esse tabelamento) a submeter-se aos custos decorrentes desse piso mínimo.

Desse modo, as empresas pequenas, que não tiverem condições de “burlar” esse tabelamento, não conseguirão se manter no mercado, o que ocasionará a possibilidade da formação de um cartel. Com a diminuição da concorrência, haverá consequentemente um aumento no preço final dos produtos que será prontamente repassado para o consumidor. Em suma temos que, o tabelamento de preços distorce o mercado, e por isso não funciona, além disso, fazer uma greve bem perto das eleições, com esse tipo de pauta, se caracteriza como uma forma de terrorismo social.

Toda vez que o preço de mercado de alguma coisa é alterado por uma ação estatal, dá errado e muito errado. Eu fui a favor da primeira greve por considerar que o pleito dos caminhoneiros era justo, todavia, desta vez, não há como concordar com a parte específica do tabelamento em questão. O questionamento que fica é esse: até quanto estamos dispostos a pagar, por essa possível greve oportunista?

Por Beethoven Barbosa


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