Para vereador oposicionista, pessoa ligada ao prefeito seria responsável pelas transações financeiras com a oficina
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| Foto: Jairo Gomes (Divulgação) |
Na manhã desta quinta-feira (23) o Blog do Bruno Muniz esteve em contato com um dos empresários responsáveis pela Oficina Dois Amigos, da cidade de Caruaru, onde na ocasião buscamos informações sobre uma denúncia apresentada pelo vereador Carlinhos da Cohab, do PTB. O oposicionista tornou público o não pagamento de serviços em veículos impossibilitaram a liberação de automóveis essenciais para serviços públicos em Santa Cruz do Capibaribe – relembre a denúncia.
Inicialmente o empresário que optou por não ter o seu nome revelado falou que a prefeitura realizou diversas negociações com a empresa, porém que pagou apenas um valor proporcionalmente inferior a quantia total dos serviços prestados pela oficina de automóveis. Segundo documentação, de uma dívida de R$ 77.198,00 foram emitidas R$ 34.080,00 em notas fiscais, o detalhe é que este valor não foi pago pele órgão público.
"Os cálculos que eu tenho aqui e que já foram repassados para o secretário, que é Breno, e para outra pessoa que responde também, não sei se é ligada a secretaria, que é Luciana, é que R$ 18.400,00 eles pagaram, já em 24 de dezembro de 2015 foram emitidas notas fiscais de sete veículos, que dá um total de R$ 34,080,00. Foi entregue a prefeitura, eles receberam essas notas e a gente ficou aguardando o pagamento, que no caso nunca aconteceu", sustentou o empresário.
O empresário expõe que os referidos valores são líquidos, sem o acréscimo de juros ou multas.
"Depois trouxeram outros veículos e o montante ficou em R$ 77.198,00, juntando notas emitidas com outros serviços que não emitimos notas pela falta de pagamento, isso sem a gente colocar nenhum juros em cima", confirmou.
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| Foto: Jairo Gomes (Divulgação) |
A retirada das notas e não pagamento da dívida gerou uma série de indagações, uma delas aponta para um suposto caso de desvio de recursos, segundo o vereador Carlinhos da Cohab, já que em sua visão todas as notas recebidas pela prefeitura passam pelo financeiro e o dinheiro é respectivamente destinado aos pagamentos em questão. Em seu uso da tribuna, nesta quinta, Carlinhos chegou a apontar uma prima do atual gestor municipal como sendo a intermediadora dos pagamentos entre o órgão público e a empresa privada. Sobre a dita pessoa, o empresário comenta:
"Ela (Luciana) liga pra gente, faz algum pagamento, ela se reporta também a Breno, geralmente eu vejo ela dizendo 'vou conversar com Breno'. Agora eu não sei qual a função dela."
Durante a sua entrevista o empresário destacou que dois veículos ainda permanecem na oficina, todavia ocorreram liberações de outros carros com o intuito de não prejudicar os trabalhos públicos do município.
"Os únicos veículos que se encontram aqui é uma ambulância do Samu e uma Ranger, o motivo é porque como é um órgão público ele precisa dos veículos. Normalmente a gente tem uma norma que os veículos só são liberados com o pagamento do serviço. Justamente por ser um órgão público e como a gente tinha licitações com ele, normalmente a gente consertava o carro, liberava ele e eles deixavam outro pra gente realizar o serviço, para que eles não parassem as suas atividades", explicou.
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| Foto: Jairo Gomes (Divulgação) |
Evidenciando que não poderiam reter veículos no galpão da oficina, o entrevistado apontou também que manter os referidos veículos no poder da empresa trata-se de uma questão financeira, obviamente evitando que o impacto negativo no orçamento do negócio seja ainda maior.
"Eles deixavam um carro como uma forma de 'garantia', pode se dizer assim. Eu não posso prender carro de ninguém aqui, até porque a gente liberava os outros carros. Alguns veículos foram liberados, esses aqui não liberamos porque investimos peças neles e não podemos perder mais porque eles não realizaram os pagamentos", explicou.
Durante a conversa o empresário relatou um fato que segundo o mesmo ocorreu mais recentemente. Na ocasião do fim da licitação que a empresa mantinha com a prefeitura, o responsável pelos serviços alegou que membros da Secretaria de Saúde de Santa Cruz do Capibaribe o procuraram para tentar renovar a licitação. A empresa recusou o convite.
"A licitação encerrou em janeiro de 2016. Uma pessoa na secretaria fez a proposta para que a gente renovasse a nossa licitação, daí foi logo a proposta, eles não disseram que teríamos concorrentes, porque da outra vez tinha dois concorrentes. Diante do convite a gente alegou que não nos interessávamos porque eles não estavam nos pagando", ressaltou.
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| Foto: Divulgação |
Por fim, o empresário contou a nossa equipe de reportagem que visa um acordo com a referida prefeitura na expectativa de receber os valores expostos nas notas.
"Nós já acionamos os nossos advogados, porque como é um caso de prefeitura – e temos aqui outros casos onde alguns prefeitos não foram eleitos e não pagaram – iremos recorrer na justiça para tentar algum acordo", pontuou.
Versão da prefeitura
Em nota enviada aos meios de comunicação o secretário de Saúde de Santa Cruz do Capibaribe se pronunciou sobre o caso. Confira o texto na íntegra:
"A Secretaria de Saúde de Santa Cruz do Capibaribe vem esclarecer a este meio de comunicação e à população a respeito dos veículos citados na reportagem.
A ambulância do SAMU faz parte da reserva do programa, ou seja, foi desativada com a chegada das novas, será descaracterizada e utilizada como ambulância branca das unidades de saúde, por orientação do Ministério da Saúde.
Vale ressaltar que os serviços do SAMU estão em pleno funcionamento, registrando os números de 94 ocorrências em fevereiro e 48 em março, até o dia de hoje.
O outro veículo, cedido pelo Governo do Estado para servir ao departamento de Endemias, a Secretaria levou à oficina para orçamento. O Governo do Estado cedeu um novo carro para o serviço e a Secretaria já está iniciando um processo licitatório para a compra de uma pick-up, com recursos de emenda parlamentar.
Atenciosamente, Breno Feitoza, Secretário de Saúde





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