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| Lixo hospitalar importado era utilizado para produção de roupas como por exemplo forro de bolso – Foto: Arquivo |
Na última sexta-feira (20) a Justiça Federal de Pernambuco (FJPE) divulgou a sentença de condenação de dois empresários envolvidos no transporte de lixo hospitalar para o Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco. Altair Teixeira de Moura e Cid Alcântara Ribeiro foram condenados na quarta-feira (18), ambos a dois anos e quatro meses de reclusão, porém a punição foi revertida por medidas alternativas, restritas de direito.
A apreensão feita pela Receita Federal no dia 24 de setembro de 2011 gerou uma série de polêmicas e prejuízos para a região que atua no ramo confeccionista. O órgão ressaltou que empresas de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru recebiam o lixo e o transformava em mercadoria, como por exemplo lençóis hospitalares que eram utilizados para criação de forro de bolso, esses aplicados em calças, shorts e outras peças.
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| Empresários locais se mobilizaram para combater o avanço negativo das informações que denegriam a imagem da produção local – Foto: Arquivo (Divulgação) |
Além dos lençóis, gazes, cateteres, aventais, luvas, seringas e algodões eram enviados ao Brasil e desembarcavam no Porto de Suape em containers. Na época o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente atestou que o material desembarcado no Brasil exalava um forte odor, situação que dava conta da gravidade da matéria orgânica em situação de decomposição. O temor das autoridades era que doenças infecciosas entrassem no país através do lixo hospitalar.
Na situação vale destacar o empenho de empresários e da população dos referidos municípios afetados que iniciou campanhas rápidas no intuito de frear a polêmica envolvendo a mercadoria da região. Em Santa Cruz do Capibaribe foi iniciado o movimento “Eu uso produtos do polo têxtil! Confecção é coisa séria, não é lixo!". A campanha foi estampada em camisetas e ganhou a mídia por meio de várias personalidades, dentre os apoiadores o proprietário da empresa Rota do Mar, Arnaldo Xavier.
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| Ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) vestiu camisa produzida por empresários em campanha – Foto: Arquivo (Divulgação) |
Outro que literalmente vestiu a camisa foi o na época governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. O socialista chegou a se reunir com autoridades e secretários para debater o futuro da confecção local e combate direto a polêmica que já havia afetado o comércio regional.
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| Material foi apreendido pela Receita Federal – Foto: Arquivo (Divulgação) |
A justiça, por meio do juiz titular da 35ª Vara Federal, Rodrigo Vasconcelos Coelho de Araújo, entendeu, diante dos fatos apresentados, que os envolvidos e condenados tinham conhecimento do conteúdo que transportavam. A ação dos empresários mediante a informação de que o material importado para o país poderia se tornar um problema de saúde pública pesou na decisão.





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