Professores de Santa Cruz do Capibaribe decidem paralisar trabalhos pelos próximos três dias

Secretaria de Educação foi ocupada
Foto - Eliton Araujo
Em assembleia realizada na manhã desta quinta-feira (08) no Teatro Municipal, o Sinduprom (Sindicato Único dos Profissionais do Magistério Público das Redes Municipais de Ensino no Estado de Pernambuco) determinou que as aulas estarão paralisadas pelos próximos três dias (quinta; 08, Sexta; 09 e segunda; 12.

De acordo com os professores, o motivo das paralisações é o não pagamento dos salários até o 5° dia útil de cada mês. Ainda na assembleia foi destacado a luta da categoria com relação ao pagamento dos precatórios da Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), onde os professores exigem receber 60% do valor, os outros 40% devem ser investidos em manutenção das escolas. O valor que será destinado a Santa Cruz do Capibaribe é de aproximadamente R$ 14 milhões, podendo chegar na casa dos R$ 17 milhões.

“O dinheiro está sendo desviado para outra finalidade que não sabemos qual, e isso não é honesto”, disse coordenador do Sinduprom
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O coordenador geral do Sinduprom, Josenildo Vieira, informou que enquanto houver possibilidades de ‘luta’ irão em busca desses recursos.
“Se vier qualquer proposta que não seja dos 60% nós, sindicato, iremos rejeitar. Nada de vir com 10, 15 ou 20%. E afirmo que desde já, que mesmo sabendo das férias de final de ano, nós vamos manter nossas mobilizações”, pontuou.
Ainda em sua fala, Josenildo comentou sobre ir junto ao sindicato, pedir o bloqueio do valor referente aos recursos do Fundef na justiça, caso não seja dialogado com a proposta dos professores com a prefeitura municipal. Caso seja bloqueado, a prefeitura e os professores não poderão ter esses recursos até que seja julgado no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós não recebemos nenhuma proposta da prefeitura. Para qualquer prefeito qualquer argumentação que vá em linha de repassar esses valores para a Secretaria de Educação é bem-vinda. Até ontem o prefeito de Vicência sentou com o Sindicato e assinou um termo de compromisso para repassar 60% dos recursos do Fundef. Só que aqui em Santa Cruz, é preciso que os professores se humilhem para garantir um direito que é seu”, desabafou.
“Ele (Edson) está aberto a toda e qualquer negociação”, disse Jéssyca Cavalcanti
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Jéssyca Cavalcanti, professora e vereadora eleita pelo palanque do prefeito, afirmou que houve, de fato as negociações com a categoria antes das eleições, porém disse que Edson Vieira (PSDB) não se esconde de negociar com os professores.
“Saí de lá feliz, ele me falou que daria uma proposta de 10% do valor total dos R$ 14 milhões, e se haveria com esse percentual uma possibilidade de negociação. Aí na terça-feira falei com o prefeito novamente e, após chegar de Gravatá ele me comunicou que em consultas que fez, recebeu a orientação dos advogados de aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A vereadora eleita ainda afirmou que já tinha conhecimento dessa ação há mais de três anos, e que durante a campanha eleitoral de 2016, o prefeito teria dito que não iria tratar desses assuntos na eleição.
“Edson em momento algum se escondeu de negociar com a categoria, eu não sei da agenda dele, mas tem se mostrado disposto a negociar”, finalizou a vereadora.
 “O Secretário de Educação foi para a rádio dizer que eu e Elieudes somos mentirosos”, afirmou João Paulo
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O professor João Paulo que estava na rádio Polo FM junto a Elieudes no dia de ontem (quarta) afirmou no encontro que o Secretário de Educação, Joselito Pedro e o procurador do município de Santa Cruz do Capibaribe.
“O Secretário de Educação Joselito Pedro, que é meu amigo foi para a rádio hoje de manhã desmoralizar a mim (João Paulo) e Elieudes Bezerra, só porque falamos que antes das eleições foi uma história, e depois foi outra. Mas iremos a rádio novamente desmentir ele, ele chamou eu e Elieudes de mentirosos”, frisou.
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“A consideração da gestão com a gente foi a polícia na frente da prefeitura junto da guarda municipal”, desabafa professor André
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Fazendo uso das discussões, o professor André afirmou que se sentiu humilhado profissionalmente por ter que protestar nas ruas, ao invés de estar na sala de aula.
“Eu me senti tão humilhado profissionalmente, por ter que sair no sol quente cobrar um direito que é meu... nosso. A vereadora Jéssyca fala que há vontade de negociar, mas será que a boa vontade é pedir que a polícia e a guarda vá para a prefeitura, nós não iriamos badernar lá... estávamos cobrando nosso direito”, disse.
Ainda em sua fala, o professor elencou que o descaso com a educação é angustiante e revelou que alguns diretores de escolas irão entregar os cargos em breve.
“Nós não temos material, não aguentamos o calor que é dentro da sala de aula e isso é angustiante, os diretores estão desesperados e inclusive alguns vão entregar os cargos”, pontuou.
Por fim, os professores decidiram paralisar as atividades de hoje à tarde, amanhã (sexta) e na próxima Segunda-feira (12). Todos aceitaram a proposta de ocupar a Secretaria de Educação nesses dias e que só sairão do local após ser apresentado alguma proposta condizente aos profissionais da educação. Ainda nesta sexta-feira (09) os professores irão se reunir na Escola Ivone Gonçalves para encaminhar novas manifestações.
Foto - Eliton Araujo
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