A nova velha política


O título desse artigo é tão contraditório quando o discurso e a prática da política no Brasil. Vemos todos os dias nas três esferas da administração pública, políticos que acabam agindo na contra mão do que se defendeu nos palanques e em seus programas de governos. 

Em 2012 o atual prefeito, Edson Vieira (PSDB) venceu a eleição, disputando com o poderoso José Augusto Maia, ex-prefeito por dois mandatos e primeiro deputado federal por Santa Cruz do Capibaribe, justamente por vender uma imagem de novo. Com o slogan “Um chance para Santa Cruz”, a campanha de Edson conseguiu convencer o eleitorado, que ele representaria a nova política santa-cruzense e que Zé Augusto representava a velha política, o retrocesso.  

Ao assumir o Palácio Braz de Lira, o que seria o novo, continuou o velho, ou melhor, a velha política do 'toma lá dá cá'. O que se combatia, passou a se praticar: Folha de pagamento inchada para atender aos apoios políticos, grande número de prédios alugados, denuncias de corrupção, etc. 

Tivemos alguns avanços na administração Vieira, e por isso Edson conseguiu a sua reeleição. Não por representar a cara do novo, mas porque Fernando Aragão (PTB), ainda representava a cara da mais velha política, pois trazia em sua essência o autoritarismo da família Maia, que o povo já reprovou. 

Olhando para o resultado a eleição proporcional em Santa Cruz vemos que o que prevaleceu foi a vitória da velha sobre a nova. Tivemos os vereadores mais votados, aqueles que praticaram a velha prática do assistencialismo, do poder econômico ou aqueles que de uma forma ou outra representam a figura do “coronelismo”. 

Ficaram de fora vereadores que de uma forma ou outra, ainda defendia uma política nova e sadia. Pessoas de tinha um pensamento ideológico independente da figura do prefeito, como por exemplo, Afrânio Marques (PDT) e Luciano Bezerra (REDE). 

É lamentável; o povo fala, critica, reclama dos políticos, mas na hora de votar, não vota pelo trabalho ou capacidade do candidato, e sim pelo que recebeu ou poderá receber em troca de seu voto. Ou seja, pensa no individual e não no coletivo. Vemos que a grande maioria dos eleitos defendem o velho discurso – excitar o partidarismo para incentivar a paixão política; onde um bate e o outro defende o prefeito. E assim vão seguindo a enrolação: Novos discursos para vencer e velhas práticas para governar.

Por Marciel Aquino

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