Desde criança aprendemos que não fazer a tarefa de casa implica em castigo. Em muitos casos, esse castigo vinha precedido de dor ou sem poder sair de casa e brincar com os colegas. Nossos pais determinavam o tamanho do castigo. Hoje, não fazer o dever de casa implica em quase todos os castigos de outrora, no entanto, de forma mais severa e com riscos sérios que podem causar danos bem maiores.
Uma dor, corpo ardendo em febre, paladar amargo, organismo fraco e sem vontade de comer, um mosquito, uma água e uma população pouco ou quase nada civilizada. A sensibilidade de fazer aos outros o que eu gostaria que fizessem comigo, dá-me a magnitude do quão importante é cuidar bem do meu quintal, das minhas plantas e do meu lugar, pois se não cuidar, o meu ambiente vai prejudicar o outro.
Um enredo para mostrar a maestria de um bicho tão pequeno, mas que tem devastado toda uma gama de pessoas. Cidades inteiras amedrontadas e afeitas ao simples esperar dos governantes, que por hora, poucos ou quase nenhum, tem condições de ofertar algo, a ponto que a sociedade acredite. No entanto, essa mesma sociedade deixa refletir no seio social a sua fraqueza, pois é apenas um mosquito, que por falta de vontade ou pelo querer esperar do outro, essa mesma sociedade deixa de fazer a sua parte, no tocante a não deixar acumular água parada onde não deve.
A proliferação do mosquito Aedes aegypte se dá em decorrência de água parada, isso é um fato que todo mundo sabe. Dizem que ele é só um mosquito, mas o pior é saber que somos uma população gigantesca que permite um minúsculo mosquito nos causar tantos danos. Estamos empancados, acomodados e esperando alguém fazer algo, quando na verdade, o maior foco de proliferação está dentro das nossas casas e nós temos feito muito pouco para eliminar tais focos. Pois, desde que o mundo é mundo, tornou-se mais fácil criticar do que fazer a sua parte. Triste realidade e como dizia Charles Chaplin, “é mais fácil me criticar do que me conhecer”, parafraseando o mestre Chaplin, as pessoas, acomodadas, preferem criticar políticos a ter que fazer a sua parte e eliminar os focos do mosquito que estão dentro de suas próprias casas.
Por: Betto Aragão


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