A intolerância que remete ao medo do pensar

Foto: Arquivo Pessoal (Divulgação)
O termo intolerância revela-se em um indivíduo quando o mesmo tem dificuldade de aceitar o ponto de vista de outro. Ultimamente parece até comum não concordar com a ideologia de outra pessoa e logo partir para agressão, seja ela bélica, como temos acompanhado no mundo árabe, seja braçal, como visto no dia a dia dos grandes aos pequenos centros urbanos, ou ainda pela agressão verbal, como a ocorrida recentemente como um dos maiores ícones da música popular brasileira.

Quando Chico Buarque de Holanda escreveu a letra da canção “Cálice”, a fez em protesto à Ditadura Militar. O ano era 1978, auge de um período que, quem ler ou leu um pouquinho de história do Brasil, saberá do que estou falando. Não vivenciei tal época, mas ouço o relato dos meus pais demonstrando quão triste fora esse período da história brasileira. Pois bem, os versos que Chico escreveu outrora em forma de protesto, mal sabia ele que em pleno ano de 2015, com toda tecnologia ao nosso alcance, com toda ‘liberdade’ de expressão disseminada, teria ele que passar pelo constrangimento de ter que discutir com alguém, que se diz letrado, para defender sua ideologia política.

Ora, mas não vivemos a era do conhecimento e da liberdade de expressão? E por que será que essas pessoas insistem em calar quem tem a coragem de defender algo ou alguém, fazendo-a passar por tamanho constrangimento? Será que só vale emitir uma opinião se for de acordo com o que a maioria pensa? Ah, esqueci, a presidente Dilma foi eleita pelo voto popular e com a maioria do voto do povo brasileiro. Mesmo assim, não vale. Tem que emitir opiniões com base no que a elite brasileira escolher, sob o risco de você ser chancelado de hipócrita, nordestino imbecil, professor burro que defende uma presidente dessas, enfim, são tantas atrocidades que nem vale a pena repetir.

Dirijo-me agora àqueles que se acham no direito de criticar a forma que os outros pensam. Ninguém é obrigado a concordar com nada que o outro disser, mas o respeito é obrigatório. Portanto, quando pensar em criticar outrem pela sua forma de pensar, é melhor experimentar um ótimo Cálice, seja de água, de vinho, de sangue jamais.

*Betto Aragão é jornalista, especialista em comunicação e Marketing (2011), especialista em Assessoria de Imprensa (2013) pela FAVIP e especialista em Administração Pública pelo IFPE. Professor universitário e atua em assessorias de imprensa.

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