Pernambuco: Mais de 15 mil universitários foram enganados por faculdade não reconhecida pelo MEC


Iniciar um curso em uma faculdade, abrir caminho para carreira profissional ao qual se dedicará por longos anos e, respectivamente se tornará um cidadão formado, com inúmeras possibilidades para exercer cargos, atuar em instituições renomadas, ter uma profissão curricular, tocar a vida. Esse provavelmente é o desejo de todo universitário que ingressa em uma universidade, seja ela pública ou privada. Infelizmente muitos tem esse objetivo usurpado, e não que seja por desejo próprio, simplesmente por deficiência em algumas instituições de ensino que não atuam conforme os regimentos do Ministério da Educação (MEC).

Foi isso que aconteceu durante o decorrer deste mês (julho), após dois meses de investigações encabeçadas pela 38ª Vara da Justiça Federal, que, determinou em caráter imediato a suspensão das atividades por parte da Faculdade Extensiva de Pernambuco (Faexpe), prejudicando assim pelo menos quinze (15) mil alunos que cursavam períodos na instituição de ensino.

Com mensalidades que beiravam os R$ 149, a faculdade atraiu diversos estudantes em pelo menos 25 municípios pernambucanos. Foi este o caso do vendedor externo Luciano Lira, de 33 anos. Luciano viu após muito tempo a possibilidade de fazer o curso que sempre desejou, iniciou e estudou durante um ano, recentemente o vendedor recebeu um panfleto que alertava-o sobre o fato de que a faculdade na qual passou dois semestres não passava de uma instituição fraudulenta. Luciano viu o seu curso de Segurança no Trabalho ser interrompido sem que o mesmo nada pudesse fazer.

A Justiça bloqueou, além das atividades da Faexpe, todos os bens dos proprietários da faculdade que estão avaliados em cerca de R$ 400 mil. Interrompeu também convênios que a mesma possuía com departamentos privados e públicos.

Em caso de descumprimento das imposições feitas pelo MP, os responsáveis pela Faexpe irão pagar obrigatoriamente R$ 5 mil de multa.

A operação de interdição da faculdade foi dada após uma denúncia feita pela por uma pedagoga. A profissional informou que notou que um dos cursos, o de sociologia exibe a carga horária de 60 horas/aula, mas, que apenas 12 horas/aula eram oferecidas de fato. A pedagoga ainda tentou alertar a coordenadoria da faculdade mas, após ter o feito foi demitida pela direção. Percebendo a irregularidade, a educadora procurou o Ministério Público Federal (MPF) e fez a denúncia.

Com sede do município de Caruaru, a Faexpe atuava em 43 outros municípios.

O Ministério Público ainda pretende intensificar as investigações em torno dos proprietários da Faexpe para que, casos como o uso de prédios púbicos, como escolas, para prestação das aulas sejam melhor esclarecidos, possibilitando assim saber se havia algum envolvimento com membros do setor público.

Em alguns casos, ex-alunos relataram que os responsáveis pela faculdade recolhiam o benefício social Bolsa Família como pagamento de mensalidade, o que é totalmente inconstitucional.

Para as vítimas da Faexpe fica além do prejuízo e da revolta, a lição do quão importante é investigar e saber se a instituição escolhida para cursar uma graduação tem o selo de reconhecimento do MEC.

| Bruno Muniz/Com informações da TV Clube Record |

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