#MúsicoSemTerra contesta título de Belo Jardim; artistas organizam ação

Cerca de 20 artistas estão contestando o título "Terra dos Músicos" dado ao município de Belo Jardim, situado no Agreste pernambucano, devido à suposta postura da prefeitura de não incentivar a produção local deste segmento. Juntos, nas redes sociais da internet, criaram o movimento batizado com a hashtag #MúsicoSemTerra. Este seria o primeiro protesto contra a situação.

Segundo eles, há vários anos a prefeitura estaria favorecendo trabalhos de pessoas de fora, em detrimento dos de quem movimenta o lugar o ano inteiro com shows e programas sociais e que, assim, reforçam aquele codinome da terra. Isto teria se tornado evidente com a programação do Festival Jardim Cultural. Conhecido por participar de vários eventos na região, o poeta David Henrique, do grupo Virgulados, conta que, "no início, o 'Jardim Cultural' era diversificado. Até 2004. De lá pra cá, perdeu a essência, dando muito espaço a sertanejo e forró de plástico".

Em texto sobre o movimento, publicado no perfil do Facebook, David Henrique diz que faltou democracia. "Esta programação deveria atender a todos os públicos, mas infelizmente o que seria pra ser um festival de multiculturas foi monopolizado a uma mera cópia da Festa das Marocas [outro evento local], onde predomina o forró de plástico e o sertanejo de plástico, ambos com fins totalmente comerciais e sem conteúdos artístico-culturais. Notifico uma exceção aos meus amigos do Samba Clube Retrô e ao grupo Fundo de Quintal por terem seus valores artísticos".

O músico Weldes Nogueira, líder da banda Mulambos, também está engajado no movimento #MúsicoSemTerra. "Nós queremos e merecemos um espaço para mostrar um trabalho que vem sendo desenvolvido há muito tempo", diz. E pede ao governo municipal: "pensem no que pode ser melhor pra o povo".

Festa à parte como protesto

Também por meio daquela rede social da internet, o prefeito do município, João Mendonça, contou que no Festival Jardim Cultural haveria mais uma atração sertaneja neste sábado (13), porém, devido ao alto cachê, isto não foi possível. No entanto, o fato não vai "diminuir em nada o brilhantismo da festa" e pode "abrir espaço para a apresentação de mais artistas locais".

Apesar da reclamação de Weldes Nogueira e dos demais músicos, não haveria mais por parte deles o interesse de tocar nesta edição. Até porque afirmam que entregaram propostas de apresentações ao governo municipal e não obtiveram nenhuma resposta. E eles afirmam ainda que se sentem lesados também como cidadãos ouvintes dos shows. Portanto, além das ações e textos de repúdio via internet, o grupo está organizando um protesto em forma de festa e convida a sociedade a participar.

Está programado um cortejo com concentração na Praça Jorge Aleixo, a partir das 19h desta sexta-feira (12), e destino ao Pátio de Eventos Nivaldo Jatobá, onde, horas após esta ação, ocorrerá o início do Jardim Cultural. As atrações da noite serão Forró Pegada Top, Gabriel Diniz, Vicente Nery e Fábio & Nando. Nos demais dias, o festival continua com Tom Oliveira, Amigos Sertanejos e Psirico, no sábado (13), e Samba Clube Retrô, Brucelose, Fundo de Quintal e Forró do Firma, no domingo (14).

Versão do governo municipal

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Eventos confirma que houve, em novembro, o episódio da reunião entre artistas e representante do governo municipal. Nesta, "ficou totalmente esclarecido que a organização do evento analisaria todas as propostas dos artistas locais", e "já houve indicação de um dos artistas de que, caso não tivesse um espaço garantido no evento, teria à sua disposição um contato com um grande órgão da imprensa pernambucana e que faria um protesto. Entendemos, nesse interim, que a intenção era, e é, a de forçar a contratação", completa, além de reforçar que há artistas locais contratados, quais sejam: Forró Pegada Top, Samba Clube Retrô e Forró Vumbora.

Acerca do conceito de "cultura", presente no título do festival em questão, a assessoria explica que "seria necessária uma grande discussão sobre o entendimento do que é cultura para os organizadores do protesto" e lembra que o Festival Jardim Cultural não se resume a apresentações musicais - contempla ações cênicas e formação artística.

Também comunica que, reforçando o título de "Terra dos Músicos", em pouco mais de um ano a prefeitura realizou "duas formações na área musical com baterista Café de Jesus e o saxofonista Maestro Spok", deu "subsídio aos eventos alternativos na cidade, a exemplo do Rock na Praça", "promoveu três Feiras de Artesanato no centro da cidade, abrindo espaço para apresentações de capoeira, grupos sociais, bandas de música e artistas locais". "Belo Jardim fortalece o nome de 'Terra dos Músicos' através do apoio às bandas de música centenárias na cidade, por meio de uma subvenção cultural paga as bandas Filarmônica São Sebastião e Cultura Musical no valor de três salários mínimos para cobrir despesas e permanecer funcionando. Assunto bastante atacado devido a atrasos de pagamento, porém já resolvidos pela administração", finaliza.

Fonte: G1

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