Prima de Eduardo Campos e vereadora do PSB em Recife, Marília Arraes declara apoio a Dilma.




















RECIFE — Prima do candidato do PSB à sucessão presidencial, Eduardo Campos, a vereadora Marília Arraes (PSB) anunciou que vai votar na presidente Dilma Rousseff e que apoiará o senador Armando Monteiro Neto (PTB), na sucessão estadual. Ela afirmou que o ex-governador, que “prega a nova política”, pratica “política velha” e “provinciana”.

Ela usou o termo “biônica” para definir as candidaturas impostas pela direção da legenda no estado, como Paulo Câmara. Ele foi indicado por Campos para disputar a eleição para o Palácio do Campo das Princesas sem nunca antes ter enfrentado as urnas. Paulo Câmara ocupou três secretarias durante a gestão do então governador, e representa a Frente Popular, coligação formada por 31 partidos. Ela disse não ser legítima a imposição de candidatos sem militância anterior, e afirmou que, pelo menos no plano estadual, o PSB “passou do limite da incoerência” com a amplitude da coligação.

— A Frente Popular hoje tem muita semelhança com a antiga União de Pernambuco, que reunia partidos como o PMDB e o antigo PFL, hoje transformado em DEM. Não vejo realmente como fazer um governo popular, comprometido com essas forças de direita. Uma coisa é ter um projeto, e ver um ou outro aderindo à sua candidatura. Outra coisa é ter toda a direita, representante da velha política ao seu lado — justificou.

— Se essa é a nova política, não me identifico com ela — completou.

Marília afirmou, ainda, que há outra incoerência entre o discurso e a prática do ex-governador:

— Ele diz que o Brasil precisa de um líder, e não de uma gerente. Mas tanto na eleição passada, para a prefeitura, quanto na atual, ele escolheu candidatos sem histórico de militância, e que nunca enfrentaram as urnas. Procurou gerentes, candidatos biônicos, pessoalmente por ele escolhidos — disse ela, referindo-se ao primo.

A socialista acrescentou que não aceita os “ataques infundados” de Campos à presidente Dilma. Ela assegurou que as relações familiares não serão afetadas pelas divergências políticas:

— Eduardo Campos foi ao meu casamento e a gente se fala nas reuniões de família. Mas ele nunca atendeu a um telefonema meu nem nunca me abriu espaço para conversas políticas. Tentei muitas vezes, inclusive pela via protocolar. Não tenho contato político com ele, e a relação política é diferente da familiar.

Marília entrou em rota de colisão com Eduardo Campos no início desse ano, quando o hoje presidenciável tentou emplacar o filho mais velho, João Campos, para assumir a secretaria estadual da Juventude Socialista em Pernambuco. Na época, ela divulgou uma carta criticando a candidatura de João, por ter sido “imposta de cima para baixo”.

“As chapas seriam submetidas a disputa por voto dos delegados municipais, ou então por acordo e composição conduzida por estes mesmos jovens quadros em formação. Todo movimento faz parte da formação política de nossos futuros líderes e é de suma importância para a construção de um partido onde impere a legitimidade. O processo, no entanto, está sendo comprometido. Existe articulação maior para que outro jovem, sem envolvimento na juventude partidária, assuma o posto de secretário estadual da JSB-PE, cargo principal por meio do qual terá assento na executiva estadual do PSB”, afirmou na carta divulgada pelas redes sociais durante o processo de renovação da direção da JSB-PE.

A socialista tentou, também sem sucesso, disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas não teve apoio das principais lideranças do PSB nem de Eduardo. Ela negou, no entanto, que a decisão de apoiar Dilma e Armando tenha isso como motivação.

— Seria pequeno de minha parte.

Para o presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, a atitude da prima do ex-governador socialista não tem outra explicação:

— Desde o anúncio da desistência da candidatura para deputada federal, ela já dava sinais de que tomaria essa posição (de apoiar Dilma e Armando). Mas é uma posição isolada, provavelmente provocada pela frustração de não disputar a Câmara dos Deputados e por falta de espaço dentro do partido. Não atribuo a outra coisa — afirmou.

Marília está cumprindo o seu segundo mandato como vereadora em Recife, e teve 8,5 mil votos na última eleição. Apesar de declarar apoio a Dilma, ela não pretende sair do PSB:

— Não sei que tipo de retaliação poderiam fazer. Não tenho medo de cara feia. As críticas são legítimas, contra atitudes ditatoriais. Talvez por isso o partido não me queira mais.




 - Fonte: O Globo.

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