O episódio registrado ontem, em Caruaru, envolvendo apoiadores das campanhas de João Campos e Raquel Lyra, deveria servir para uma reflexão que vai muito além da disputa entre dois candidatos.
Enquanto parte da sociedade se dedica a defender político A, B ou C como se estivesse defendendo um time de futebol, cenas como essa mostram até onde pode chegar a transformação da política em torcida organizada.
De um lado e de outro, pessoas que sequer são os candidatos envolvidos terminaram trocando socos e pontapés por causa de uma disputa eleitoral. E fica a pergunta: em que momento deixamos de discutir propostas, resultados, planos de governo e o preparo de quem pretende administrar o Estado?
Campanha eleitoral deveria ser confronto de ideias, não de agressões.
Quando a política passa a ser decidida mais pelo carisma, pelo grito, pela provocação e pela paixão por uma figura pública do que pela análise das propostas e do histórico de cada candidato, o eleitor fica mais vulnerável a discursos vazios independentemente de quem esteja no palanque.
O problema não é defender uma candidatura. O problema é quando defender um político se torna mais importante do que cobrar dele.
No fim das contas, políticos passam. Pernambuco fica.
E talvez esteja na hora de a sociedade discutir menos quem consegue fazer mais barulho e mais o que, de fato, cada candidato pretende fazer quando chegar ao poder.
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