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Da escola sem partido – Por Beethoven Barbosa


Muito tem-se debatido a respeito do projeto de Lei conhecido como Escola sem Partido. Em apertada síntese, de acordo com os seus adeptos, o projeto em alusão objetiva combater a “doutrinação esquerdista” que é promovida por parte de muitos professores (principalmente de humanidades) em face de seus alunos.

Nesse sentido, o referido projeto de Lei defende que seja colado um cartaz, em todas as salas de aula, do ensino fundamental e médio, que dentre outras coisas, afirma a “neutralidade” em sala de aula, ao mesmo tempo em que proíbe a utilização de propagandas político-partidárias e incitação a manifestações de caráter político por parte dos professores.

Ainda que pareça evidente que a maioria dos professores de ciências humanas têm preferência por uma linha de entendimento do mundo mais ligado ao o que, grosso modo, podemos chamar de “esquerda” (ainda que para mim, reduzir a visão política de mundo em apenas dois lados se perfaz demasiado simplista), e que uma parcela desses professores realmente tentam doutrinar seus alunos, não é por meio de uma Lei que isso será resolvido.

Existe no Brasil uma cultura muito forte, de que a simples edição de um dispositivo legal poderá resolver problemas graves que estão postos em nossa realidade. Nessa esteira, será mesmo que a fixação desse cartaz nas escolas irá resolver o problema da formação intelectual precária e enviesada que muitos de nossos professores recebem na Universidade?

Além de não resolver o problema, nota-se que apesar da militância histérica de alguns professores em sala de aula, essa tentativa de doutrinação não tem funcionado, uma vez que os alunos saem do ensino médio muito mais preocupados em comprar um bom celular do que entender O Capital do Marx. Os jovens não saem da escola querendo se tornar um líder sindical, mas sim preocupados em se qualificar para serem bem sucedidos financeiramente.

Ou seja, por vezes nós subestimamos a autonomia de pensamento e a capacidade crítica de nossos jovens. Tanto é assim que de acordo com as pesquisas, foram justamente as pessoas mais escolarizadas que nas últimas eleições, disseram não a organização criminosa do PT. A precarização do ensino no Brasil deve ser enfrentada a partir de uma profunda transformação, a ser arquitetonicamente planejada e meticulosamente elaborada por especialistas da área em apreço e não por meio de uma simples canetada.



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