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O mito da caverna de Platão e o verdadeiro ser político – Por Beethoven Barboza


Platão é um dos maiores gênios da história da humanidade. Há quem diga, no meio acadêmico que, grosso modo, toda a concepção de mundo do ocidente se fundamenta em três coisas basicamente: Platão, a Bíblia e o Direito Romano, o restante de toda produção intelectual é como se fosse uma “nota de rodapé” desses três fundamentos.

Nesse sentido, o que podemos constatar é que Platão continua atual. Em sua obra, Platão alude sobre uma certa previsibilidade da condição humana, que pode ser compreendida a partir de um conjunto de possibilidades previsíveis, que tem o poder de nos indicar o caminho da liberdade ou da escravidão de nossa alma.

E é justamente nesse contexto de liberdade e escravidão que emergi o tão falado “Mito da Caverna”. Essa alegoria é sem dúvida a parte dos escritos de Platão que melhor resume o significado de toda a sua obra. Em muita apertada síntese, imagine uma caverna subterrânea, onde existe uma descida muito abrupta. E em determinada altura da caverna tem uma fogueira e mais adiante um muro alto.

Por trás desse muro, vários homens encontram-se acorrentados, olhando pra uma parede lisa. A caverna que se perfaz numa grande descida é escura e fria, onde no fundo encontra-se a já mencionada parede lisa, que serve como um tipo de tela. Entre essa fogueira e o muro passam pessoas carregando objetos, e as sombras dos objetos carregados são projetadas nessa parede, e a voz deles, pelo efeito do eco também vai bater onde as sombras são projetadas.

Esse esquema de aprisionamento foi montado pelos amos da caverna. Os amos da caverna prenderam esses homens porque acreditam obter alguma forma de vantagem sobre essa escravidão. Todavia, para que esse esquema de aprisionamento funcione, os amos fazem com que os prisioneiros se sintam livres, estimulando os prisioneiros a debaterem e a falar o que quiserem, e até mesmo a escolherem um líder entre eles.

Mas nos bastidores os amos morrem de rir dos prisioneiros. Os amos riem porque aqueles homens que acreditam ser livres, na verdade não passam de escravos e iludidos. Entretanto, há uma saída dessa caverna, existe sim uma escapatória. Não se sabe o motivo ao certo, mas um desses prisioneiros se dá conta de que vive uma ilusão, e de tanto se remexer, acaba por se livrar das correntes e a duras penas consegue se libertar da escravidão e das ilusões da caverna, sendo guiado pela luz, consegue subir pela saída e conhecer a beleza e a imponência do mundo real.

Esse homem que foi guiado pela luz e agora é consciente acerca da formosura da realidade, mesmo estando livre não é egoísta, e motivado por piedade e compaixão, volta para a caverna no intuito de libertar os outros escravos. Amigos leitores, de forma muito simples e resumida, para Platão, esse homem que conquista a sabedoria e tem uma consciência elevadíssima, a ponto de descer para resgatar a humanidade da escravidão, nada mais é do que o verdadeiro Político.

Fica a indagação: será que esse conceito de Político morreu ou ainda devemos ter esperança que através da política é possível melhorar a vida das pessoas? Eu prefiro a segunda opção.

Por Beethoven Barbosa


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