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Nietzsche e o ressentimento — Por Beethoven Barbosa


Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), o psicólogo é aquela pessoa capaz de investigar a fundo a alma humana. Tomando como matéria de sua reflexão, a questão do caráter humano em sua multiplicidade, Nietzsche se debruçou sobre o tema do ressentimento.

Nesse passo, o ressentido para o eminente filósofo é uma pessoa que não consegue esquecer, ou mesmo digerir as coisas ruins e injustas que os afetam. Tal sentimento, por não ter atingido sua finalidade (deixar a pessoa mais resistente) sempre retorna para o sujeito, daí o prefixo “re”, que junto com “sentimento”, forma a palavra “ressentimento”. Esse retorno sempre ocorre de modo negativo, tendo em vista que o ressentido começa a delirar e faz dos seus pensamentos uma verdadeira distorção da realidade.

O que Nietzsche quer dizer é que, todos nós temos afetos e sentimentos negativos, todavia, costumeiramente, nós colocamos pra fora a nossa raiva e o nosso ódio, ou seja, nós explodimos. Entretanto, se manifestam situações específicas em que enfrentamos adversidades e ficamos em silêncio. Diante de tais contextos de sofrimento, esse silêncio faz com que nós venhamos a “ruminar” esses acontecimentos, ao mesmo tempo em que ficamos imóveis e cada vez mais afastados da realidade.

Desse modo, quando temos que enfrentar uma dor, por mais profunda e pesada que seja, precisamos suportar tal aflição, para que possamos a partir daí, nos dedicar a coisas novas, vislumbrar novos horizontes. Para esse grande pensador, se é para “cair no precipício”, que venhamos a cair dançando e não ruminando acontecimentos e pessoas que foram danosas à nossa existência. Se cairmos nessa armadilha de continuar ressentindo essas mazelas, iremos aprisionar a nossa alma.

O ressentido é aquele que acredita que o mundo gira em torno do seu umbigo. Muitas vezes é um mimadinho que tem muita dificuldade em ouvir um “não”. O ressentido é aquele que por ter sido mimado pelos pais, exige que o mundo faça o mesmo, e o coloque no mais alto posto, na posição de destaque. Todavia, e ao mesmo tempo, o ressentido nunca se responsabiliza, sempre culpa os outros pelo seu fracasso. O ressentido não luta pelos seus sonhos, prefere ruminar uma vingança que nunca acontece, posto que o mesmo se esconde em uma fantasia degenerada de vitimismo e imobilidade.

Por Beethoven Barbosa


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