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Leibniz e a questão da responsabilidade — Por Beethoven Barbosa


O que nos torna responsáveis por nós mesmos, pelo que fazemos, pelas decisões que tomamos? Debruçando-se sobre essas questões profundas, Gottfried Wilheim Leibniz, grande filósofo alemão do século XVII não deixa dúvida: a liberdade de escolha faz o homem ter de responder sempre pelos atos que pratica.

Ao longo de sua vida, Leibniz realizou grandes pesquisas em quase todos os ramos do saber de sua época. Todavia, o tema principal de suas mais de 200.000 páginas manuscritas foi certamente a filosofia. Nesse contexto, o presente texto tem por objetivo resumir de forma muito simples o conceito de liberdade em Leibniz.

Para o eminente filósofo, o que é, então, ser livre? Para Leibniz, liberdade consiste numa ação contingente, espontânea e refletida. A contingência se opõe a necessidade. Se trata do que pode ou não ocorrer. Nesse contexto, para o ilustre filósofo, a título de exemplo, o mundo é expressão da vontade de um Deus criador que escolheu cria-lo, mas poderia não ter criado.

No que atine a espontaneidade, uma ação é espontânea quando o princípio de determinação dessa ação encontra-se naquele que age (e não em elementos ou fatores externos e alheios ao agente). Ora, é evidente que em nossas vidas, existem diversas causas externas que facilitam ou tentam impedir a nossa ação, todavia independente dessas causas externas, tudo o que fazemos depende de nós, tendo em vista que nossas ações dependem daquilo que nos define como indivíduos.

Ademais, nós sabemos que qualquer animal age de maneira espontânea e evidentemente, nem por isso é responsável pelas suas ações. Desse modo, o cerne da questão encontra-se na possibilidade da reflexão. O que distingue uma ação livre de uma ação meramente espontânea é a possibilidade de refletir sobre ela, e essa possibilidade de reflexão foi dada apenas aos seres humanos. Em suma, temos a incrível capacidade de pensar sobre nossas ações.

Temos a fantástica habilidade de saber porque agimos, por qual motivo nós fazemos o que escolhemos fazer. Na maior parte das vezes agimos por impulso, seguindo nossas inclinações naturais, porém, sempre temos a possibilidade de esclarecer os motivos de nossa ação, lançando uma luz sobre as causas que determinam o nosso desejo. Pode-se dizer que ao discorrer sobre a responsabilidade humana, Leibniz vestiu com roupas modernas a ideia descrita no pórtico do templo de Delfos: “conhece-te a ti mesmo”.

Por Beethoven Barbosa


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