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A modinha de se achar um santo ou representante do bem — Por Beethoven Barbosa


Com base na perspectiva cristã e na tradição filosófica do moralismo, nós seres humanos somos vazios, insuficientes e cheios de vícios. Qualquer pessoa, com um mínimo de experiência de vida e consciência de si mesma, sabe o quanto o homem é impulsivo e perfeitamente capaz de cometer bobagens e praticar coisas perversas.

Muitas vezes fazemos coisas que humilham a nossa vontade. De forma consciente, gostaríamos de adotar um determinado comportamento que nossa fraqueza não permite. Diante dos impulsos de cometermos erros, mesmo quando nós conseguimos nos controlar, precisamos fazer um esforço tremendo para ter o chamado domínio próprio.

Nesse sentido, a tradição bíblica nos mostra que Jesus preferia os ladrões, as prostitutas e as adulteras, justamente porque essas pessoas tinham consciência da sua condição de pecadores. Nessa toada, autores brilhantes como  Dostoiévski e Pascal (pra citar somente dois grandes exemplos), também tratam da condição humana em suas célebres obras, afirmando, em apertada síntese que, quem se percebe como um santo ou se sente representante do bem, na verdade é um vaidoso hipócrita.

Sempre suspeite da auto virtude proclamada. Nos dias atuais, se perceber como uma pessoa que representa o bem virou uma modinha. Desde veganos que se percebem como pessoas que estão fora da cadeia selvagem da natureza, até pessoas que acham que são mais evoluídas porque se preocupam com as baleias ou ainda gente que, ao fazer textão nas redes sociais, imagina ser um tipo de soldado a serviço da “luta pelos oprimidos”.

A verdade é que o fracasso e as fraquezas são inerentes ao ser humano, e a consciência de nossas debilidades nos humaniza e nos torna mais clementes. Portanto, não devemos confiar em quem se considera portador de alguma santidade ou representante de uma “justiça social”, posto que tanto a tradição bíblica, bem como a filosófica, demostra que quem se considera uma pessoa perto de Deus na verdade esta muito longe, e quem se reconhece longe de Deus, pode encontrar-se perto Dele.

Por Beethoven Barbosa


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