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Sartre e o Homem só – Por Beethoven Barbosa


As discussões que permeiam o significado da individualidade e as relações entre subjetividade e liberdade reavivam o interesse pelo pai do existencialismo ateu. O brilhante filósofo e escritor francês afirmou em sua obra que o homem encontra-se irremediavelmente só. Se você é o que tem sido, não foi o meio ou os seus pais que o fizeram assim, não foi a “sociedade” e também não foi Deus. 

Sartre radicaliza o existencialismo de Kierkegaard, afirmando que ao indivíduo não sobrará nenhuma desculpa para seus atos. Não podendo, portanto, recorrer a Deus porque agiu assim e não de outra forma. Desse modo, para o eminente autor, o homem não nasce com uma essência, condenado a ela pelo resto da vida. A “essência”, como algo que identifica o ser humano, não vem antes da sua existência. Trocando em miúdos, a existência precede a essência, primeiros existimos para, então, decidirmos ser alguém.

O pensamento sartriano é marcado pelo estreitamento entre a mais alta reflexão filosófica aos maiores incômodos do ser humano. Nesse sentido, como fazer a conciliação de ambas as coisas em uma unidade? De um lado temos o ser humano como sujeito e com subjetividade, de outra banda o mundo e a realidade como objeto. Como conciliar sujeito e objeto na filosofia é um dos temas preferidos do autor em comento.

Nesse sentido, Sartre questiona o esforço que fazemos para aparentar ser alguma coisa. Ora, se de fato eu sou alguma coisa, então que necessidade eu tenho de de me esforçar para aparentar ser a coisa que tenho sido? E é justamente esse esforço que, para o nobre autor, evidencia que no fundo, eu não sou nada disso. Não sou nada disso não porque eu seja uma outra coisa, mas sim porque não sou coisa nenhuma.

Isso significa que, por exemplo, quando eu digo que sou um fraco e passo a me comportar como tal, na verdade, eu estou escondendo sob a máscara de minha fraqueza toda a liberdade que me é própria e que me daria a chance de ser forte e destemido. Nesse passo, para o autor, nós não temos uma essência que nos condena ou que estamos presos a ela. Ao fazer esse tipo de reflexão, somos convidados a lutar para assumirmos as rédeas da nossa própria existência, decidindo conscientemente o que fazer de nós mesmos. Nessa perspectiva, a responsabilidade pela reinvenção do mundo e de nós mesmos é nossa e de mais ninguém.

Por Beethoven Barbosa

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