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O caso da PM que enfrentou um assaltante e a polarização política — Por Beethoven Barbosa


Diante da merecida homenagem do Governo do Estado de São Paulo, prestada a cabo da polícia militar Katia Sastre, no dia 13 do presente mês, observou-se a ocorrência de uma polêmica absurda e completamente sem sentido. As imagens de vídeo foram muito claras. A ação da PM foi legítima. Ela simplesmente cumpriu seu dever moral e legal para com a sociedade.

Apesar da evidente legitimidade da ação da PM em comento, militantes de uma extrema esquerda problematizaram a ação da PM, afirmando que a mesma agiu com abuso de autoridade, uma vez que o bandido “ainda não estava atirando”. Esse fato nos traz à lembrança o caso da militante que ao invadir o Plenário da Câmara do Deputados, para pedir intervenção militar, acabou por confundir uma bandeira do Japão (que estava ao lado da bandeira do Brasil) com um “símbolo comunista”. A militante de extrema direita, na ocasião, fez um vídeo que acabou “viralizando”.

O que esses dois casos têm de semelhante? A manifestação de uma polarização política de extremos. Em ambos os casos, observamos pessoas com posicionamentos polarizados e que deturpam a realidade em nome da obediência a sua cartilha ideológica. No atual momento do país, vê-se uma guerra de extremos, onde um grupo de esquerda esta completamente adestrado a obedecer uma determinada agenda, e por outro lado, um grupo de direita também segue cegamente uma pauta que lhe é imposta ideologicamente.

Atualmente não há espaço para o diálogo de ideias, não há espaço para a construção de si a partir do contraditório. Constata-se uma verdadeira guerrilha de narrativas, onde se você não vota no Bolsonaro, você é um “comunista” ou um “petralha”, e se você é a favor da prisão do Lula, você é taxado de “fascista” ou “coxinha”. No atual momento, não existe espaço para as nuances. As questões políticas e sociais, não deveriam ser tratadas como “preto ou branco”, “certo ou errado”, “coxinha ou petralha”.

Caro leitor, você não é obrigado a comprar uma cartilha desses extremos e seguir como se fosse uma luta entre o “bem e o mal”. Nós não somos obrigados a nos tornarmos uma mera caricatura, um simples estereótipo da esquerda ou da direita. Entre a cartilha da esquerda e da direita existem muitas nuances que fazem diferença nos fatos do nosso cotidiano. As relações políticas e econômicas de um povo são muito complexas e profundas para serem reduzidas a cartilhas de esquerda ou de direita. Em uma democracia, o que pensa diferente não é meu inimigo e nem deve ser eliminado.

A lógica da democracia não passa pela eliminação do contraditório, mas sim por instituições fortes que sejam capazes de compor os conflitos. Em suma, a capacidade de entender que é possível a convivência pacífica e respeitosa entre os defensores do Lula e os eleitores do Bolsonaro, se manifesta como um elemento fundamental para o fim dessa polarização pueril, no sentido de construir uma política mais tolerante e uma sociedade mais justa e equânime.

Por Beethoven Barbosa

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