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O politicamente correto e a "Geração do Mimimi" — Por Beethoven Barbosa


Não há dúvida de que a busca por uma convivência social mais correta e justa se apresenta como uma ideia muito boa e muito bem-vinda. A ideia de cada pessoa abrindo mão de uma individualidade exagerada, em nome da possibilidade de uma convivência mais harmoniosa, se apresenta como uma ideia muito importante em um contexto marcado pela intolerância e o egoísmo.

Entretanto em relação ao Politicamente Correto não é isso que se vê na prática. Pode-se constatar que o Politicamente Correto, que se originou no EUA e depois foi importado para boa parte do mundo ocidental, se transformou numa forma de patrulha fascista e em um tipo de ditadura velada.

Desse modo, pessoas que se dizem “do bem” e se vêem como agentes da mudança social e defensores das minorias, fazem esse patrulhamento no intuito de filtrar as imagens e principalmente a linguagem que se usa no cotidiano das pessoas.

Na verdade o Politicamente Correto se transformou numa forma ditatorial de censura. Determinados grupos e movimentos ideológicos, tem se utilizado desse patrulhamento na mídia, na imprensa e no ambiente acadêmico no objetivo de perseguir pessoas, atrapalhar o debate público e rotular de forma depreciativa quem pensa diferente desses grupos ideológicos.

O politicamente correto no Brasil quer determinar qual fantasia você deve usar no carnaval, o que e como você deve falar ao se referir as pessoas que se percebem como minorias e controlar até mesmo a forma como os professores ensinam na sala de aula.

Na medida em que não há como se eliminar qualquer forma de ofensa, tendo em vista que na comunicação, não temos o controle sobre como nossa mensagem será recebida, na medida em que entendemos que as palavras não são coisas, mas sim remetem a coisas, e que as palavras são polissêmicas, esse patrulhamento repressivo e por vezes psicótico só serve para atrapalhar a comunicação das pessoas e alimentar o ressentimento de uma geração que se ofende com tudo, a chamada “geração mimimi”.

Se nós tirarmos da linguagem o seu caráter polissêmico, simplesmente jogaremos no lixo a cultura da humanidade e construiremos ainda mais muros entre as entidades identitárias e isso certamente não será correto para a Pólis.

Por Beethoven Barbosa


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