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O Fantasma da Ópera e o homem crucificado entre dois mundos


De forma simplesmente brilhante, Gaston Leroux nos envolve em um mistério tenso, carregado de poesia, mergulhado em beleza e sofisticação. O autor encontra o equilíbrio entre os detalhas de uma linguagem jornalística e a profundidade mítica que desperta no leitor uma indescritível inquietação.

O Fantasma da Ópera é uma trama de suspense e romance que se passa no Ópera de Paris, onde a Christine se torna a primeira vocalista de uma ópera, porque a primeira vocalista estava indisposta, não podendo assim se apresentar. Ainda nesse contexto, a diretoria da Ópera está sendo trocada, e essa nova diretoria descobre a existência de um fantasma na Ópera de Paris e que o tal fantasma ainda exige dinheiro e o camarote 5 só para ele.

Nesse sentido, pode-se afirmar que quando lemos o livro, contemplamos o musical ou mesmo assistimos ao filme, percebemos as profundas e belas reflexões que a obra em apreço nos apresenta.

No que atine a Christine, pode-se dizer que ela representa a nós, seres humanos, fadados a estar crucificados ou presos entre dois mundos. Crucificados entre o mundo da arte, da aventura, do mistério e da elevação da consciência, e por outro lado e ao mesmo tempo, presos ao mundo das paixões, da aceitação social, das fantasias infantis e da banalidade.

O palco é o local das ilusões, das superficialidades, como ocorre no mito da caverna de Platão. A personagem do Raoul, que é quem patrocina os espetáculos do palco e é apaixonado por Christine, representa justamente o chamado ao comodismo, a fama e ao status quo. Já o nosso fantasma, o Erik, cujo nome significa “glorioso” ou “aquele que reina para sempre”, representa o convite ao mistério, ao encontro com a sua essência, ao casamento com a sua alma, revelando seu caráter hierofânico.

Vale ainda se perguntar, o que o fantasma tem a nos dizer hoje, nesse mundo de internet e Facebook, onde muitas pessoas em nome da aceitação social e da banalidade, postam uma felicidade falsa no face? O que Erik tem a dizer para um mundo carregado de futilidade e polarização nas redes sociais? Acredito que esse clássico tem muito a nos dizer, no sentido de nos provocar a estarmos mais atentos a nossa essência e a elevação do nosso caráter, e menos conectados a esse mundo viciado e superficial das redes sociais. 

Por Beethoven Barbosa

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