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Dor Lombar Inflamatória


A principal característica de uma dor lombar que nos faz pensar numa origem inflamatória é a sua piora com o repouso, e que melhora quando o paciente se movimenta, seja ao deambular, se exercitar ou mesmo se levantar de uma posição deitada e iniciar uma caminhada.O que foi descrito anteriormente se opõe a dor lombar dita mecânica, que pode ser devido à osteoartrite (artrose) do seguimento lombar da coluna, distensão muscular de músculos paravertebrais, hérnia de disco do seguimento em questão...etc. 

Sendo que nessas condições, a movimentação faz piorar a dor. Portanto as características que corroboram a classificação da dor lombar como sendo de origem inflamatória incluem as seguintes:

1. Início do desconforto lombar antes dos 45 anos de idade;

2. Início insidioso (ou seja, que ocorre de forma arrastada,não tendo início
súbito);

3. Melhora com o exercício;

4. Não melhora com o repouso;

5. Dor à noite (com melhora ao se levantar).

Se o paciente apresentar 4 dessas 5 características para a dor lombar, dizemos que ele tem dor lombar de característica inflamatória. Qual a importância em se reconhecer uma dor lombar inflamatória? Esse tipo de dor, cujas características já foram citadas anteriormente, ocorre muito frequentemente num grupo de patologias descrito coletivamente pelo nome de ESPONDILOARTRITES, incluindo nesse grupo a espondilite anquilosante, a espondiloartrite axial não-radiográfica, a forma espondilítica da artrite psoriásica e no acometimento da forma espondilítica da doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa).

Acometem principalmente pacientes jovens (terceira, quarta e quinta década até por volta dos 45 anos) e do sexo masculino (numa proporção de 9 homens para 1 mulher, no caso da espondilite anquilosante). Quem apresenta esse padrão de dor lombar obrigatoriamente terá alguma dessas doenças do grupo das espondiloartrites? Não. Sem dúvida, um paciente adulto jovem, sexo masculino, ao apresentar uma dor com essas características citadas e que venha ocorrendo de forma contínua por pelo menos 3 meses de duração deve ser avaliado por um reumatologista para tentar identificar outros sinais e sintomas que, uma vez presentes, possam apoiar o diagnóstico de uma dessas condições. A presença da dor de forma isolada não é suficiente para se estabelecer o diagnóstico, pois cerca de 20% dos pacientes com uma dor de origem mecânica( devido à artrose da coluna lombar, hérnia discal...etc) podem ter uma dor com característica inflamatória.

Que outras características associadas à dor lombar inflamatória aumenta a suspeita diagnóstica para uma espondiloartrite? As características que aumentam a suspeição diagnóstica para uma espondiloartrite são: dor na região do calcanhar (entesite); dactilite, quando o dedo da mão ou do pé encontra-se difusamente edemaciado(inchado), sendo conhecido com “dedos-em-salsicha”; uveíte, quando ocorre uma inflamação do olho, apresentando-se com vermelhidão e bastante doloroso, geralmente unilateral; presença de algum membro na família já diagnosticado como tendo espondiloartrite; paciente que tenha diagnóstico de Doença de Crohn e/ou retocolite ulcerativa; psoráse; dor nas nádegas de forma alternada; artrite de forma assimétrica; resposta significativa com melhora dos sintomas de dor após 48 horas do uso de anti-inflamatórios não-esteróides; presença de PCR e VHS elevados.

Como deve ser investigada a dor inflamatória?

Além de uma história clínica e exame físico bem completos sobre os aspectos abordados no tópico anterior, faz-se necessário avaliação do seguimento lombar da coluna e da bacia.O exame inicial é feito através da radiografia simples da coluna, procurando por áreas de inflamação na articulação sacroilíaca (sacroileíte) ou presença de pontes ósseas (entesófitos) entre os corpos das vértebras. Caso a radiografia seja normal, mas persistindo a
suspeita diagnóstica, deve ser realizada uma Ressonância nuclear magnética de sacroilíacas, sendo esse exame capaz de detectar alterações numa fase bem
precoce da doença. O que acontece com o não-tratamento das espondiloartrites?

Uma das complicações mais temidas em relação ao não tratamento, ou tratamento numa fase avançada da doença, diz respeito às deformidades, que podem ser persistentes e incapacitantes.Geralmente pode ocorrer a rigidez da coluna (“coluna-em-bambu”) e cifose importante, além de dor lombar incapacitante de forma persistente.

Como é feito o tratamento?

O tipo de tratamento a ser instituído (anti-inflamatórios ou biológicos) vai depender da gravidade da doença, bem como a presença de outros acometimentos extra-articulares, a exemplo da uveíte, doença de Crohn,
retocolite , etc.

Fonte:Uptodate 2017 – Conteúdo da Assessoria

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