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Bullying e violência nas escolas – Professores são tão vítimas quanto os alunos

Brasil lidera o ranking mundial de agressões contra professores; A cada cinco agressões, quatro das vítimas são mulheres, segundo dados da OCDE.
Caso mais recente e de repercussão no país, Márcia Friggi, professora da refe pública de ensino foi agredida dentro de sala – Imagem meramente ilustrativa
Essa semana um grande debate se ergueu nas redes sociais após um garoto especial ser alvo de bullying em uma escola de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco. De imediato, internautas de várias regiões brasileiras se posicionaram sobre o caso e repudiaram a atitude do aluno agressor, além dos demais que comungaram com a ideia em sala.

Dentre as figuras responsabilizadas, professores também foram postos no mesmo contexto, onde muitos usuários de redes os acusaram de fazerem vista grossa perante casos semelhantes a este ocorrido em Santa Cruz. O detalhe é que a maioria dos professores, assim como os alunos, também são vítimas do bullying.

Atualmente o ofício de desempenhar a educação em escolas brasileiras se tornou um desafio árduo e de poucos privilégios. Além do salário indiscutivelmente inferior para as demandas da profissão, os professores enfrentam uma série de dificuldades, muitas vezes tendo que exercer os papéis de psicólogos, conselheiros e até mesmo pais.

O que acontece hoje dentro de uma sala de aula em uma escola da periferia, por exemplo, desafia qualquer padrão dos direitos dos professores, já que muitas das vezes os mesmos são expostos a um cenário de ameaças e até mesmo graves agressões físicas, como já temos vistos exemplos em todo o território nacional. Para muitos desses professores, coibir ações de bullying pode custar muito, muito caro.

Partindo desse ponto de vista, a função de educador com preceitos essenciais deve ser atribuída aos pais, e não aos professores. Na escola o estudante aprende matérias  básicas como matemática, gramatica, geografia, etc. No lar, o indivíduo aprende a respeitar o próximo, dialogar e resolver questões pessoais através de atitudes que prezem pelo respeito, ética e bom senso.

Hoje, professores enfrentam duas tristes realidades dentro de um ambiente de aula, e uma quando estão fora dele. Primeira realidade: Se for um professores do sexo masculino, enquanto o mesmo estiver em sala, o respeito atribuído ao mesmo é limitado; Se for do sexo feminino, esse respeito é ainda menor. Segunda realidade: Precisando deixar o ambiente de aula por algum motivo, tanto o homem como a mulher na condição de professores deixam para trás um grupo de alunos que em sua grande maioria irá violar regras, cometer infrações e desrespeitar totalmente o espaço de aprendizado.

A questão da figura feminina ainda ser a mais desrespeitada em sala está diretamente atrelada ao conceito social desfavorável para as mulheres que são obrigadas a enfrentar situações adversas típicas de uma sociedade preconceituosa. Para se ter uma ideia, a cada cinco professores agredidos em sala no Brasil nas últimas décadas, quatro são mulheres. Aliás, no ranking mundial, o Brasil é o 1º em agressões contra os professores, segundo dados da Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em resumo, não é função de um professor ou diretor ensinar para um indivíduo que ele não deve agredir ou desrespeitar outras pessoas no seu ambiente de convivência, esta função é dos pais e um profissional da educação não deve ser responsabilizado quando esse ciclo é interrompido por alguma falha do aluno em formação.

Por Bruno Muniz

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