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Legislativo tem fome


Dois temas relacionados ao favorecimento de pessoas que ocupam o Legislativo foram os assuntos mais falados na internet na última semana. Um a nível nacional – A compra dos deputados para votarem contra à denúncia do Presidente Michel Temer (PMDB), na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O outro a nível local foi a aprovação por unanimidade do PL que concede auxílio-alimentação aos vereadores de Santa Cruz do Capibaribe.

Em nível nacional a coisa é escancaradamente imoral. Vemos provas contra deputados, senadores e até do presidente por desviar dinheiro público. Como já não bastassem os deputados federais fazem parte de um seleto grupo muito bem remunerado no Brasil. Consideradas as principais verbas a que têm direito, cada parlamentar pode receber sozinho até R$ 83.628,53 por mês. Somado à verba para custear os funcionários de seu gabinete, o político pode custar mensalmente até R$ 180.744,66 aos cofres públicos brasileiros, valor que no ano chega a R$ 2.168.935,92 por cadeira.

Já em Santa Cruz, excelentíssimos vereadores achando pouco o salário de 8 mil reais, provaram por unanimidade a Lei que concede auxílio-alimentação para os parlamentares e alguns servidores da Casa. O benefício foi aprovado em duas votações. O abono poderá se estender também aos servidores da Casa, com o valor máximo de R$ 1,2 mil.

O projeto foi aprovado após uma liminar suspender o reajuste concedido em 2016 para os salários dos vereadores. Com o aumento de 23,8%, o salário saiu de R$ 8 mil para R$ 9,8 mil, a partir de janeiro de 2017. E para compensar o não reajuste, quando se trata de interesses próprios, Situação e Oposição se unem em prol da “fome” por mais recursos.

Vamos fazer aqui uma pequena comparação: Um professor da rede estadual de Pernambuco recebe hoje em média R$ 2.298,00, que é o piso nacional dos professores e recebem um vale alimentação de 248,00, que dividendo por em média 20 dias úteis mensais vai dá pouco mais de R$ 12,00, o que não dá nem para fazer uma refeição. Levando em consideração que se um professor trabalhar os três expedientes, não chega a ganhar os 8 mil que ganha um vereador, onde na grande maioria não faz nada. 

Já os R$ 1.200, 00, que cada vereador irá receber mensalmente, dividindo também por 20 dias úteis, dará R$ 60,00 por dia. Ou seja, vamos pagar café da manhã, almoço e janta para os vereadores que não chegam a dar um expediente de 4hs por dia. Ainda ressaltando que muitos dos vereadores ainda exercem outras atividades remuneradas. Temos professores, empresários, Advogados, funcionários públicos e profissionais liberais.

Por Marciel Aquino

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