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Transtorno de Acumulação


Há mais ou menos três semanas o programa global “Profissão Repórter” exibiu um documentário a respeito do Transtorno de Acumulação, e é exatamente sobre ele que vamos falar neste artigo.

O T.A é uma patologia incluída recentemente no DSM 5 (Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) e tem como principal sintoma a necessidade de coletar intencionalmente objetos desnecessários ou animais, bem como a dificuldade de se desfazer ou desapegar destes, mesmo quando não apresentam mais utilidade.

Pessoas que sofrem com este transtorno em sua máxima gravidade, passam a ter problemas com o ambiente em que vivem, às vezes sendo ameaçadas de despejo, até mesmo judicialmente, devido à grande quantidade de coisas guardadas ou animais que por vezes causam problemas de desorganização, odores insuportáveis que impedem o desempenho de atividades básicas relacionadas a alimentação, sono e higiene não só do indivíduo, mas também dos vizinhos. Como se diz no popular: o verdadeiro lixão em sua residência.

Na história da humanidade constata-se o comportamento de colecionar coisas aparece em quase todas as populações, porém podem variar entre o normal e patológico. É bem verdade que o comportamento de acumular passa a ser uma utilidade tendo em vista um momento de privação, afim de assegurar a sobrevivência da espécie humana.

Então como identificar o que seria normal ou patológico no comportamento de acumular? Alguns critérios diagnósticos básicos:

– Quando o objeto coletado não está associado a uma necessidade legitima, ou seja, o indivíduo passa a guardar aquilo que não precisa, apenas por uma conexão afetiva.

– Quando o indivíduo tiver dificuldades de desfazer-se de sua posse, podendo sentir raiva ao ser pressionado caracterizando assim um tipo específico de Obsessão.

– Quando o indivíduo carregar consigo a crença: “Posso precisar de alguns destes objetos no futuro, pois eles poderão ter algum valor financeiro ou afetivo no futuro” mesmo não tendo precisado ao longo do tempo.

– Quando o indivíduo passa a se sentir seguro ao guardar e não entender bem o motivo pelo qual acumula.

– Quando apresentam necessidade excessiva de controlar e cuidar de animais, por acreditarem que ninguém pode cuidar tão bem quanto eles.

Contudo, é importante considerar que os sintomas caraterizados de forma isolada não determinam a existência do T.A, tendo em vista algumas variantes psiquiátricas como por exemplo: esquizofrenia, demência, autismo, ou mesmo alguma condição médica, como por exemplo AVC- Acidente vascular cerebral, entre outros que de alguma maneira interferem no funcionamento global da pessoa. 

Problemas de socialização e incapacidade para relacionamentos são características emocionais predominantes. Os indivíduos com T.A se tornam reféns de pensamentos distorcidos e crenças supersticiosas, como por exemplo “sexto sentido”, “telepatia”, associados a sentimentos de desconfiança e ansiedade, o que faz com que estes passem a organizar sua vida na busca por uma segurança e um amparo de que necessitam constantemente.

Estudos apontam que pessoas com T.A normalmente vivem sozinhas, podem ficar sem emprego e apresentar sobrepeso, tendo assim uma baixa qualidade de vida, bem como, apresentam dificuldade em lidar com os impulsos e com a ansiedade. Se você conhece ou já viu alguém que apresenta tais sintomas, ajude, oriente a procurar uma ajuda Psiquiátrica, social e Psicológica.

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