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"Hoje, para toda a cidade, ou pelo menos para um lado (azul) dela, somos mentirosos", diz educadora após sabatina com Edson Vieira

Danielly Moura - Foto: Bruno Muniz (Arquivo)
A professora Danielly Moura que atua em Santa Cruz do Capibaribe utilizou uma rede social para fazer um 'desabafo' na manhã desta sexta-feira (09), dia que sucedeu uma sabatina realizada pelo Sindicato Único dos Profissionais do Magistério Público das Redes Municipais de Ensino (Sinduprom) na Câmara Municipal, onde Edson Vieira (PSDB) foi o primeiro participante da edição do ano de 2016.

Em sua publicação a educadora afirma que a sabatina não transcorreu favorável aos professores, chegando a afirmar que 'ficou a palavra do gestor contra a palavra daqueles professores', e completando, 'hoje, para toda a cidade, ou pelo menos para um lado (azul) dela, somos mentirosos'. Confira a publicação na íntegra:
"Há 4 anos atras eu saia da sabatina dos professores com o sentimento de impotência, nojo, revolta! O candidato sabatinado era José Augusto Maia, que durante 8 anos tinha sido prefeito dessa cidade e por mais 4 tinha governado indiretamente. Ele ironizou nossas perguntas, mentiu descaradamente, riu das inquietações, inseguranças, denúncias que foram colocadas ali. No fundo, ele tinha certeza de que iria vencer as eleições e que passaria mais 4 anos governando.

Ontem, o mesmo sentimento me acompanhou. Só que desta vez foi em relação ao candidato Edson Vieira, quem, a 4 anos atrás representou a esperança de dias melhores para a classe dos professores dessa cidade. A Câmara de Vereadores foi palco na noite de ontem, de um circo meticulosamente armado em prol de um programa de governo, ou simplesmente um projeto de poder. Ensaiado em cada ato pelos artistas da ilusão e da beleza personificada em um mundo mágico e ideal que só existe nos circos. Professores que ocupam cargos de confiança, coordenadores, gestores, professores contratados, chegaram cedo, lotaram a caixa de perguntas com questões de fácil resposta e que apenas davam o mote para que o candidato continuasse falando das inúmeras maravilhas que tem sido a sua gestão.

A realidade, da previdência não paga, dos nomes dos professores colocados no SPC por falta de repasse de seus empréstimos pela prefeitura, a merenda de má qualidade que serve salsicha lotada de conservantes cancerígenos diariamente as nossas crianças, essa realidade, foi rebatida. Os professores que corajosamente perguntaram por ela foram ridicularizados, expostos no discurso do candidato como mentirosos. Pelas regras da sabatina, não foi dado o direito a réplica. Ficou a palavra do gestor contra a palavra daqueles professores. Hoje, para toda a cidade, ou pelo menos para um lado (azul) dela, somos mentirosos.

Indignação e revolta não são coisas boas de sentir. No entanto, o pior sentimento agora é a vergonha! Vergonha de saber que pertenço a uma classe de pessoas que, em sua grande maioria, não enxerga além das cores de seu partido, vergonha de perceber que um espaço maravilhoso organizado pelo sindicato foi utilizado tão somente para bajulação política, vergonha de saber que empregos e favores ainda servem de moeda de troca em 2016, e que o coronelismo não ficou na década de 1940. Vergonha ainda por saber que serão mais 4 anos de espetáculo. Que a realidade, as criticas e a luta verdadeira de uma classe serão colocadas em segundo plano pelas pessoas que administram essa cidade.

Se fosse, o outro lado, o vermelho, teria sido diferente? Não.

Daqui a pouco vou entrar em sala de aula com a certeza de que somente o meu trabalho pode mudar isso. Ainda acredito na educação! Somente por meio dela podemos ajudar crianças, adolescentes a entenderem que a luta é maior que a paixão. Que uma cidade não pode ter apenas duas cores, dois coronéis, dois lados. E que é preciso ser mais que isso, ver além, saber onde estão as mentiras, dizer não a elas, saber dos direitos que temos, cobrar soluções. É preciso ensinar a ter senso crítico, a respeitar o outro. E isso, enquanto educadora, ainda posso fazer", – escreveu.

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