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Quem é Jesus Cristo segundo o Apocalipse


Na introdução, do livro do Apocalipse, no primeiro capítulo, especificamente no versículo três encontramos um resumo, por assim dizer, do que será descrito sobre Jesus Cristo em todo o Apocalipse, como “… o Soberano dos reis da terra[1]”. Aquele que passou pelo o estado de humilhação, agora é revelado como glorificado (vv. 9-20). Sobre isso, Antony Hoekema, afirma que:
A visão do Cristo glorificado, juntamente com as cartas às sete Igrejas, forma obviamente uma unidade […] Primeiro, existem referências a eventos, pessoas e lugares da época em que o livro do Apocalipse foi escrito. Segundo, os princípios, recomendações e advertências… têm valor para a Igreja de todos os tempos. […]… essas duas observações provêm uma chave para a interpretação de todo o livro.[2] (p. 252).
Como percebemos o Apocalipse jamais poderia ser compreendido aquém do Cristo glorificado. A base hermenêutica deste livro bíblico é o Cristo glorificado. Saliento que toda a Escritura tem como base a pessoa do Redentor, tanto no Antigo e Novo Testamentos, mas, especificamente, no Apocalipse, a imagem do Cristo exaltado é desvendado, ou revelado, de uma forma tão especial que, podemos considerar tal afirmação como uma unidade que se concretiza com a mensagem que o livro trata integralmente. O número sete, por exemplo, é frequentemente repetido; ele é citado mais de cinquenta vezes em trinta versículos. Esse número, segundo De Lima, aponta para o significado de esperança. Sobre isso, ele comenta a seguinte declaração:
Preciso concluir que essas repetições foram usadas intencionalmente. Sete referências à vinda iminente de Cristo, sete referências à bem-aventurança dos que permanecem fiéis mesmo diante do sofrimento injusto, sete referências à veracidade da Palavra de Deus e sete ao caráter “todo-poderoso” do Divino. O que tudo isso transmite? Numa palavra: esperança.[3] (p. 10).
A Igreja do Senhor Jesus Cristo, conforme a progressão narrativa sobre a eclesiologia aqui na terra permanecerá em um enfrentamento constante que a leva a permanecer fiel até a morte, ou seja, a ênfase do martírio[4] (cf. 2.10; 3.14). Tomo emprestadas as palavras de Hendriksen, a visão de Cristo no meio de Sua Igreja[5], pois essa é a ênfase que podemos ler nesses três primeiros capítulos do Apocalipse (cf. 1.16,13 comparado com 2.1; 1.17,18 comparado com 2.8; 1.16 comparado com 2.12; 1.14,15 comparado com 2.18; 1.4,16 comparado com 3.1; 1.5,18 comparado com 3.7; 1.5 – 3.14)[6], onde as Igrejas são afirmadas como amadas e protegidas, como também, exigidas delas obediência até a morte. Afinal em que consiste a revelação do Senhor Jesus Cristo a essas sete igrejas? Consiste numa conscientização de fidelidade em meio a grandes perseguições e conflitos por causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. A revelação da pessoa do Senhor Jesus Cristo a essas igrejas comprovam esse fato.

[1] Ênfase minha.

[2] HOEKEMA, Antony; A Bíblia e o futuro. São Paulo. Cultura Cristã; 1989; p. 252.

[3] DE LIMA, Leandro Antônio. Números do Apocalipse: A importância da Análise Literária para a Interpretação do Livro. Fide Reformata XVIII, Nº 1 (2013) pp. 9-13.

[4] POHL Adolf comenta que “Dentre todas as sete igrejas, a igreja em Esmirna é a que está mais fortemente situada nesse horizonte do martírio”. Ver comentário de Adolf Pohl. Editora: Evangélica Esperança; 2001 p. 62.

[5] HENDRIKSEN, William. Mais que Vencedores. Cultura Cristã; 2001; p.40.

[6] Idem p 41.

Por Pr. Tiago Xavier

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