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Vânio Vieira 'estoura' novos áudios e expõe articulações do Governo Municipal

Divulgação das gravações aconteceu na Câmara Municipal de Santa Cruz do Capibaribe, em coletiva

Na manhã desta quarta-feira (22), o vereador e hoje integrante da bancada de oposição, Vânio Vieira (PTB), divulgou, para imprensa, áudios que haviam sido gravados quando o mesmo ainda era aliado do atual governo. Nas gravações o vereador expõe articulações que estavam ocorrendo na ápoca, deflagrando assim alguns detalhes já conhecidos como o 'Escândalos das Locações' e também fatos novos.

O clima na coletiva já começou quente, onde ao tentar utilizar o plenário da Casa, os vereadores Vânio Vieira (PTB), Carlinhos da Cohab e Ernesto Maia (PT) foram barrados pela Diretoria da Câmara, esta que afirmou que o espaço não havia sido previamente solicitado, sendo assim a utilização do local para tal feito ia de contra as regras regimentais.
Momento tenso na abertura da coletiva - Foto: Paulo Henrique (Blog do Bruno Muniz)
Na sala de reuniões jornalistas e curiosos se amontoaram para ouvir o conteúdo divulgado pelo vereador em um aparelho de som. O parlamentar separou tópicos que achou mais relevantes a divulgação prévia, onde em cada um deles o mesmo fazia uma abordagem explicativa.

Ao todo foram expostos sete áudios separadamente, onde em cada um deles haviam declarações dos vereadores Júnior Gomes do PSB (que era presidente na época) e Afrânio Marques (PDT), presidente atual. O áudio original sem cortes ainda contém falas de outros vereadores.

Em vários trechos dos registros fica evidente as articulações por parte do presidente naquela ocasião. Em um dos áudios Júnior chega a sugerir que a bola utilizada no sorteio da ordem dos discursos na Câmara seja 'viciada' para se obter um resultado favorável ao grupo situacionista.
Vânio alegou que só divulgou os áudios agora devido a problemas técnicos na máquina em que os mesmos estavam armazenados - Foto: Paulo Henrique (Blog do Bruno Muniz)
No primeiro tópico, o vereador Júnior Gomes fala supostamente sobre o caso da empresa KMC Locadora, a principal envolvida no suposto esquema de corrupção em contratos de locação de veículos pela prefeitura. Neste áudio o político usa o termo 'maquiado' para se referir a um escritório da empresa que teria sido montado às pressas para alegar a existência de fato do órgão privado.
"Ontem quando a gente esteve lá a gente observou que que foi totalmente 'maquiado' uma situação onde fizeram um escritório e tal. A conclusão que eu chego é que eu não vou entrar nesse mérito, quem quiser responder por empresa, que responda", disse o vereador que ainda brincou, "Os caras pintaram lá, montaram um escritório, uma série de coisas, era tanto material que as tintas ainda estavam (risos - não audível)", disse referindo-se ao fato do vereador José Bezerra da Costa (Zé Minhoca - PSDB) ter se sujado em tinta fresca.
Na reunião realizada na casa de Júnior Gomes, o vereador ainda fala sobre a implantação da CPI que iria investigar o caso e sugere uma possível manobra para barra-la.
"Eu acho que independente de preferência a gente tem que botar esse requerimento para ser votado hoje, esse é meu ponto de vista. Eu acho que a gente deve votar contra", sugere o parlamentar.
"Não sei que medo é essa da situação de que eu seja o primeiro orador", disse Ernesto durante a coletiva - Foto: Paulo Henrique (Blog do Bruno Muniz)
Mais adiante Júnior comenta sobre a possibilidade de viciar a bola de sorteio da Câmara para evitar que Ernesto Maia fosse o primeiro orador naquela oportunidade, havendo assim uma ação direcionada para que o panejado em reunião saísse como o esperado.
"Eu acho que quem participar do sorteio, quem tiver um jeito, tal, tal, de repente os caras não percebem; tá lá a bolinha de Ernesto, você pega na secretaria (não audível) com a bolinha na mão, quando puxar já vem ela", disse Gomes.
"Tentaram articular para cassar o mandato de Carlinhos", disse o vereador Carlinhos da Cohab - Foto: Paulo Henrique (Blog do Bruno Muniz)
Em um dos últimos áudios divulgados com as falas de Júnior Gomes, o vereador aponta ainda para uma articulação contra o vereador Carlinhos, sugerindo que os demais parlamentares de situação o provocassem para que os mesmos tivessem uma prerrogativa de abrir um processo de quebra de decoro contra o mesmo.
"Provoquem, provoquem Carlinhos, pode provocar e não deem apartes. O que eu quero é fazer medo a Carlinhos, a partir do momento que ele for falar - e ele vai perder as estribeiras, e não vai dizer coisa com coisa - eu vou cortar o microfone dele e vou dizer que se acontecer novamente ele pare o discurso. Ele vai direcionar a algum vereador, e ai, seja o que for, a partir do momento que ele direcionar e fizer alguma coisa, pode pedir questão de ordem (depois dos discurso logicamente)", disse Júnior que ainda sugere uma fala para o interruptor: "Presidente, eu me senti ofendido com a palavra que foi dita pelo vereador Carlinhos e queria saber do senhor (Presidente Júnior Gomes), se a gente pode entrar com uma representação no Conselho de Ética", conclui.
No último dos áudios separados por Vânio, o vereador Afrânio Marques (PDT) alega que não defenderia a empresa pivô das discussões, nomeando a mesma de 'indefensável'.
"Essa empresa é indefensável, não defendo essa empresa, porque quando a gente investigava as coisas - e a gente ia mesmo lá como eles (os vereadores de oposição) foram - e era lá no subúrbio do subúrbio, nas brenhas, então ai já começa errado. A gente está aqui, fruto de quê, do erro dos outros, onde a gente não foi nem comunicado e até para defender a gente está tendo dificuldades", disse Afrânio.
Confira o áudio completo:



Trechos da coletiva:


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