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Brasil – A Ordem é Propina


Definitivamente escancarou as porteiras da desordem no Brasil. Nunca se falou tanto em corrupção e propina. O desvio do dinheiro público sempre existiu afinal o país já nasceu no desvio de suas riquezas. Muda a forma de governo, mas a prática dos saques aos recursos públicos continuam. 

A partir do governo de Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito por meio de Eleição Direta tem uma sequencia de governos envolvidos em corrupção. O governo Collor foi iniciado em março de 1990. Logo de cara estabeleceu medidas econômicas radicais para tentar combater um dos principais problemas da economia do país: a inflação, que na época chegava a surreais 1700% ao ano.

A principal dessas medidas foi o confisco das poupanças por um período de 18 meses, medida estabelecida por meio de medida provisória. A ideia era diminuir a quantidade de moeda em circulação e, desse modo, preservar seu poder de compra. Em maio de 1992 estourou a denúncia que levaria o governo Collor a um fim prematuro. O irmão do presidente, Pedro Collor, concedeu entrevista à revista Veja acusando-o de manter uma sociedade com o empresário Paulo César Farias, tesoureiro de campanha de Collor. Segundo Pedro, o tesoureiro seria “testa de ferro” do presidente em negociações espúrias, ou seja, aquela pessoa que faz a intermediação de transações financeiras fraudulentas, a fim de ocultar a identidade de quem realmente as contrata. Em suma foi um grande esquema de propina e corrupção que derrubou Collor.

Após a queda de Collor e o fim do mandato de seu vice, Itamar Franco, tivemos novas eleições e o eleito foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB). FHC, durante os dois mandatos (1994-1997 e 1998-2002) como presidente da República, efetivou o Plano Real, privatizou várias estatais brasileiras e implantou a política neoliberal. Ainda no ano de 1997, FHC conseguiu enviar e aprovar no Congresso Nacional a emenda da reeleição, tornando-se candidato outra vez à presidência da república e ainda tendo Lula como seu principal adversário. O Plano Real e o controle da inflação continuou sendo sua principal propaganda política, o que favoreceu a FHC mais uma vitória nas urnas, conseguindo a reeleição.

A emenda constitucional da reeleição foi questionada na época e teve até pedido de CPI, devido ao pagamento de propina e compra de votos. Porém por ter maioria no congresso as investigações foram engavetadas. Só agora com as prisões de grandes políticos e empresários que tanto o esquema para aprovar a reeleição de FHC, bem como o modelo de pagamento de propina e lavagem de dinheiro das estatais que já vinhas dos governos anteriores. 

Em 2003 chega ao poder Luis Inácio Lula da Silva (PT), tendo como principal banheira acabar co a miséria e promover uma distribuição de renda mais justa. Em parte podemos dizer que Lula conseguiu promover uma grande mudança com relação às diferenças sociais e um amplo acesso a educação. Porém teve logo em seu primeiro mandato vários indícios de corrupção e pagamento de propina. No ano de 2005, o governo foi denunciado por realizar a venda de propinas para conseguir a aprovação de determinadas medidas. O esquema, que ficou conhecido como “Mensalão”, instaurou um acalorado debate político que questionava se existia algum tipo de oposição política no país. Em meio a esse clima de indefinição das posições políticas, Lula conseguiu vencer se eleger para um segundo mandato. 

Hoje sabemos que esse esquema de pagamento de propina entre os políticos da base aliada e até da oposição, continuaram no segundo mandato de Lula e se estendeu até o governo da presidenta Dilma Rousseff. Isso ficou mais evidente com a deflagração da Operação Lava a Jato. A Operação Lava Jato é a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil. Ela começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e descobriu a existência de um vasto esquema de corrupção na Petrobras, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país. 

O Esquema já derrubou vários políticos, principalmente do PP, PT e PMDB. Entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT), senador Delcídio do Amaral (PT). O esquema também foi o principal motivo para o afastamento de Dilma e ainda pode resultar no fim do “mito” Lula e do PT. 

O esquema de pagamento de propina também atingiu vários políticos de Pernambuco, atingindo o ex-governador Eduardo Campos. Atualmente está sendo alvo de investigação como mediadores de esquema de propina o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e o deputado Eduardo da Fonte (PP). Este último já teve pedido de cassação no STF. 

No campo político podemos dizer que a operação Lava a Jato está passando o Brasil a limpo, mesmo que seja com uma forte força tarefa para acabar com o PT. Mas, infelizmente, esse processo ainda não será suficiente para provocar uma consciência política na maioria dos brasileiros. 

Por Marciel Aquino

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